SOBRE
DISCOGRAFIA

O SKYLAB X finaliza uma série começada em 1999. É ao mesmo tempo o final de um ciclo e síntese de um trabalho que foi construído sob o signo da diferença.


  SKYLAB X LETRAS

1- ANALFABETO
ISRC BR ROX-10-00001


2- SE TÁ TUDO POR UM TRIZ
ISRC BR ROX-10-00002


3- AONDE EU VIVO, AONDE EU MORO
ISRC BR ROX-10-00003


4- EU NÃO CONSIGO SAIR DAQUI
ISRC BR ROX-10-00004


5- BANDEIRA NEGRA
ISRC BR ROX-10-00005


6- ZUMBI É GAY -
ISRC BR ROX-10-00006


7- CUECA -
ISRC BR ROX-10-00007


8- AVESSO -
ISRC BR ROX- 10-00008


9- EU ROUBEI A GRAVATA?
ISRC BR ROX-10-00009


10-NO SERTÃO DA MINHA VIDA
ISRC BR ROX-10-00010


11-O PENSAMENTO VOA
ISRC BR ROX-10-00011


12-O TREM
ISRC BR ROX-10-00012


13-O CORVO
ISRC BR ROX-10-00013


14-QUEM RESPONDE É O DIABO
ISRC BR ROX-10-00014


15-ROTA EM COLISÃO
ISRC BR ROX-10-00015


FICHA TÉCNICA.

Guitarra: Thiago Amorim
Bateria: Bruno Corlho
Baixo: Pedro Dantas
Violão: Alexandra Guichard
Voz: Rogério Skylab
Piano: Luiz Antônio Porto (faixa 10 e 12)

Todas as canções foram compostas por Rogério Skylab

Gravação e Mixagem: Vânius Marques
Masterização: Vanius Marques
Estúdio de Gravação: Companhia dos Técnicos
Data de gravação: set/2008
Capa: Carlos Mancuso
Foto: Solange Venturi

 

 

ANALFABETO - ISRC BR ROX-10-00001      CD 10
         

Analfabeto sente,
Analfabeto sabe,
Analfabeto escreve,
Analfabeto fala.

Eu escrevo pra analfabeto
Eu escrevo pra analfabeto

Quem é um analfabeto?
Como se chama um analfabeto?
Onde se localiza um analfabeto?
Olha aqui o analfabeto!

Analfabeto
Analfabeto

Eu nasci assim
Analfabeto
Esse é o meu analfabeto
Analfabeto
Eu quero ser assim
Analfabeto
Analfabeto

       
         
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SE TÁ TUDO POR UM TRIZ - ISRC BR ROX-10-00002      CD 10
         

Se tá tudo por um triz,
Se em breve nunca mais.

Vou dançar até amanhã,
Quem quiser me acompanhar.

E se todo mundo rir,
A platéia pedir biz.

Tudo à toa, tudo em vão,
Tudo se esvai pelos desvãos.

Vou me perder, vou me achar,
Eu vou chegar perto do fim.

Eu não sei o que eu fiz,
A polícia atrás de mim.

       
         
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AONDE EU VIVO, AONDE EU MORO - ISRC BR ROX-10-00003       CD 10
         

Aonde eu vivo, aonde eu moro,
Às vezes rio, às vezes choro,
Me sinto tão só,
Aonde quer que eu vá,
Terra, céu e mar.

Às vezes dentro, às vezes fora,
Eu me duplico, eu me devoro,
Me sinto tão só,
Aonde quer que eu vá,
Solidão é mais.

Música pra ouvir,
Festas ao luar,
Eu vejo sim.
A linha do horizonte
Entre eu e mim
É sempre SIM.


       
         
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EU NÃO CONSIGO SAIR DAQUI - ISRC BR ROX-10-00004       CD 10
         
Esse sol não, esse sol não,
Eu não consigo, o que? O que?
Ré menor em sétima maior, não, não,
Eu não consigo sair daqui.
Lá sustenido maior, não, não,
Chegou o ré, não,
Eu não consigo sair daqui.
Si bemol, não.
Si bemol, não.
Eu quero sair, eu quero sair,
Agora o fá,
O lá, o sol bemol maior com as suas garras,
Não, não !!!!!

       
         
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BANDEIRA NEGRA - ISRC BR ROX-10-00005       CD 10
         
A bandeira negra da loucura
Flutua no vento e na chuva.
Sem pensamento e sem música,
Sozinha, flutua.
A bandeira negra da loucura,
Flutua no vento e na chuva.
Sem pensamento e sem música,
Sozinha, flutua.
A bandeira negra da loucura,
A bandeira negra da loucura.

       
         
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ZUMBI É GAY - ISRC BR ROX-10-00006       CD 10
         

Maravilha, maravalha,
Tamarindo, manga espada,
No céu, no mar e nas estrelas, posto 9, fim de tarde.

Zumbi é gay,
Zumbi é gay.

Muito líndia, muita lendia,
Feche os olhos, uma imagem,
Eu vou na madrugada recolhendo jóias raras.

Zumbi é gay,
Zumbi é gay.

Nas fronteiras, meio-dia,
O que pulsa e o que arde,
Eu só na melodia,
E o que é escuro fica claro.

Zumbi é gay,
Zumbi é gay.

No Quilombo dos Palmares,
Nas províncias e cidades,
No som, no ar, no coração,
Ouço vozes que me falam.

Zumbi é gay,
Zumbi é gay.

       
         
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CUECA - ISRC BR ROX-10-00007       CD 10
         

Quer ver minha cueca?
Quer ver minha cueca?
Aqui ó, aqui ó,
Minha cueca,
É minha.
Cueca.

Quer ver minha cueca?
Quer ver minha cueca?
Freada.
Minha cueca.
É minha.
Cueca

       
         
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AVESSO - ISRC BR ROX- 10-00008       CD 10
         
Eu sou o avesso,
Eu sou o avesso do avesso.
Eu sou o avesso, do avesso, do avesso.
Eu sou o avesso, do avesso, do avesso, do avesso.
Eu sou o avesso, do avesso, do avesso, do avesso, do avesso..
Eu sou o avesso, do avesso, do avesso, do avesso, do avesso, do avesso.
Eu sou o avesso, do avesso, do avesso, do avesso, do avesso, do avesso, do avesso,
Eu sou o avesso, do avesso, do avesso, do avesso, do avesso, do avesso, do avesso, do avesso.
Eu sou avesso,
Eu sou o avesso do avesso,
Eu sou o avesso, do avesso, do avesso, do avesso, do avesso, do avesso.

       
         
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EU ROUBEI A GRAVATA? - ISRC BR ROX-10-00009       CD 10
         
Eu roubei a gravata?
Non, eu nom roubei a gravata.
Se eu non roubei a gravata
Enton, eu non roubei a gravata.
Ripita comigo !!!!!

       
         
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NO SERTÃO DA MINHA VIDA - ISRC BR ROX-10-00010       CD 10
         

No sertão da minha vida,
O sol bate na moleira,
As crianças vão lambendo o muco do nariz.
No sertão da minha vida,
Eu compus essa toada,
São estranhas as canções.

No sertão da minha vida,
Tem o rio São Francisco,
As lavadeiras cantando
Anunciam as manhãs
No sertão da minha vida
Eu compus essa toada,
São estranhas as canções.

No sertão da minha vida,
Dentro do redemoinho
Vou seguindo, vou sozinho, pelas ruas do Leblon
No sertão da minha vida
Eu compus essa toada,
São estranhas as canções.

       
         
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O PENSAMENTO VOA - ISRC BR ROX-10-00011       CD 10
         

O pensamento voa,
Depois ressoa, desmancha no ar.
E os pedaços se recompondo
Na terra, no céu, no mar.

O mundo também ressoa,
Desenvolvendo, expolode no ar,
E os pedaços se recompondo
Na terra, no céu, no mar.

Quem saberá os segredos
Da terra, do céu e do mar?
Onde se guarda os objetos secretos
Da terra, do céu, do mar?

       
         
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O TREM - ISRC BR ROX-10-00012       CD 10
         

Eu to chegando bem pertinho da estação.
Eu venho de muito longe,
Lá do fundo do sertão,
Passo riacho, passo chão, passo boiada,
Um sertanejo cantando no serrado.

Eu to chegando bem pertinho da estação.
Lá fora os namorados se beijando, é tão bom.
Eu penso nela, no frescor dos olhos dela,
O campo todo verdinho, tão verdinho.

O trem agora ta parando na estação.
Olho bem os namorados,
Um punhal em suas mãos.
Na verdade, eram homens que lutavam,
de um deles escorria tanto sangue.

O trem agora ta parado na estação.
Eu vou acudir o homem,
Estrebuchando no chão.
Eu me debruço sobre o corpo do cadáver,
reconheço aquele moço nos meus braços.

Era eu, era eu, era eu.
O trem agora ta parado na estação.

       
         
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O CORVO - ISRC BR ROX-10-00013       CD 10
         

Entro numa farmácia,
O farmacêutico é fanho,
Pânico na madrugada.
Minha cabeça rodando,
Tomo mais um comprimido,
Se parar eu vomito.
Minha pílula dourada,
Egito que resplandece.
Vício, minha pátria amada.

Plasil, Plasil, Plasil.

Dentro das minhas entranhas
O câncer se desenvolvendo.
Ânsia, vômito, espasmo.
Os nervos à flor da pele,
Sinto um cheiro de ópio
Que bate e me conecta.
Olha só minha glande,
O pensamento é glande,
O meu desejo é glande.

Plasil, Plasil, Plasil.

Mais um pico na veia.
De noite eu quase não durmo,
Lexotan na cabeça.
Todo dia Prosac,
Um barulho no quarto,
Um susto, um rato.
Da minha cama eu avisto,
Livros, teias, traças,
O canto negro de um pássaro.

Plasil, Plasil, Plasil.

       
         
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QUEM RESPONDE É O DIABO - ISRC BR ROX-10-00014       CD 10
         

Quando é bem tarde
E a saudade invade.
Parece clichê,
Não tenho nada.
Por toda cidade me procuro e não acho.
Pergunto pra Deus,
Quem responde é o diabo.

No meu contrato
Eu vendo a minha alma.
Chego no espelho,
Não vejo nada.
Por toda a cidade
Me procuro e não acho.
Pergunto pra Deus,
Quem responde é o diabo.

Eu imagino,
Sigo pistas falsas.
Não tenho nada
Mas eu disfarço.
Por toda cidade
Me procuro e não acho.
Pergunto pra Deus,
Quem responde é o diabo.

       
         
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ROTA EM COLISÃO - ISRC BR ROX-10-00015       CD 10
         

Painel de controle
Painel de controle

Verificar pressão
Verificar pressão

Preparar para partida
Preparar para partida

Acionar alavanca
Acionar alavanca

3 2 1 zero

Latitude sul 38 graus
Latitude sul 38 graus

Zona de alta turbulência
Zona de alta turbulência

Manter cinto de segurança
Manter cinto de segurança

Contactar torre
Contactar torre

Botão de emergência
Botão de emergência

Objeto não identificado
Objeto não identificado

Atenção comando
Atenção comando

Rota em colisão
Rota em colisão

Acionar alarme
Acionar alarme

Reduzir velocidade
Reduzir velocidade

Atenção comando
Atenção comando

Objeto não identificado
Objeto não identificado

Corrigir rota
Corrigir rota

Latitude sul 27 graus
Latitude sul 27 graus

Atenção comando
Atenção comando

Sem comunicação
Sem comunicação

Interferência de ondas curtas e médias
Interferência de ondas curtas e médias

Objeto não identificado
Objeto não identificado

Atenção comando
Atenção comando

THE END

       
         
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  SKYLAB IX - CD/DVD obs.: músicas em ( itálico ) fazem parte de outros discos. LETRAS

1- Sem Anestesia

2- A Dança do Corpo e dos Membros

3- Vácuo

4- Jesus

5- Eu Chupo meu Pau

6- Derrame

7- Dedo, Língua, Cu e Boceta

8- O Mundo tá sempre Girando

9- Moto-Serra

10- Convento das Carmelitas

11- Parafuso na Cabeça

12- Lava as Mãos

13- Matadouro das Almas

14- Funérea

15- Carrocinha de Cachorro Quente

16- Porrada na Cabeça

17- Você vai continuar fazendo música?

18- Samba de uma só nota ao contrário

19- Lágrimas de Sangue

20- Naquela Noite

21- Dá um Beijo na Boca Dele

22- Oficial de Justiça

23- Eu Fico Nervoso

24- Metrô

25- Samba

26- Eu tô Sempre Dopado

27- Show do Rappa

28- Você é Feia

29- Desperdício de Tudo

30- Matador de Passarinho

FICHA TÉCNICA DVD.

Thiago Martins: guitarra;
Alexandre Guichard (Bigu): violão;
Bruno Coelho: bateria
Pedro Dantas: baixo
Rogerio Skylab: voz
Convidados Especiais: Marcelo Birck, Maurício Pereira e Lois Lancaster
Dedicado a Marcos Junior, e, Kenny Klynter Lopes
Capa e Arte: Carlos Mancuso
Gravação do show - Áudio: loudness
Áudio editado, mixado e masteurizado: Vânius Marques
Direção de Imagens: Amílcar Oliveira
Montagem: Marcio Canella
Diretor de Fotografia: Francisco Oliveira
Produção de Imagens e realização: SENTIMENTAL E-TAL
Produção executiva (Imagens): Karin Greco
Gravado no Centro Cultural São Paulo em setembro/2008

EXTRAS:
Clipe: Eu tô Sempre Dopado - Direção: Amílcar Oliveira

Clipe: Põe um Parafuso na Cabeça - Direção: Gustavo Caldas

Making Off -

OBS:
- A música 8 teve a participação de Maurício Pereira na voz.
- A música 18 teve a participação de Marcelo Birck na guitarra.
- A música 25 teve a participação de Lois Lancaster no trombone e na voz.
Todas as músicas são de autoria de Rogerio Skylab:
- a música 8 foi feita em parceria com Maurício Pereira;
- a música 18 foi feita em parceria com Marcelo Birck;
- a música 21 foi feita em parceria com Zé Felipe

FaixasCD.

1- Sem Anestesia

2- Vácuo

3- O Mundo tá Sempre Girando

4- Matadouro das Almas

5- Funérea

6- Carrocinha de Cachorro Quente

7- Porrada na Cabeça

8- Você Vai Continuar Fazendo Música

9- Naquela Noite

10- Samba de uma só Nota ao Contrário

11- Oficial de Justiça

12- Samba

13- Eu tô Sempre Dopado

14- Show do Rappa

15- Você é feia

16- Matador de Passarinho

FICHA TÉCNICA CD.

Thiago Martins: guitarra;
Alexandre Guichard (Bigu): violão;
Bruno Coelho: bateria
Pedro Dantas: baixo
Rogerio Skylab: voz
Convidados Especiais: Marcelo Birck, Maurício Pereira e Lois Lancaster
Dedicado a Marcos Junior, e, Kenny Klynter Lopes
Capa e Arte: Carlos Mancuso
Gravação do show - Áudio: loudness
Áudio editado, mixado e masteurizado: Vânius Marques
Direção de Imagens: Amílcar Oliveira
Montagem: Marcio Canella
Diretor de Fotografia: Francisco Oliveira
Produção de Imagens e realização: SENTIMENTAL E-TAL
Produção executiva (Imagens): Karin Greco
Gravado no Centro Cultural São Paulo em setembro/2008

EXTRAS CD.

OBS:
- A música 3 teve a participação de Maurício Pereira na voz.
- A música 10 teve a participação de Marcelo Birck na guitarra.
- A música 12 teve a participação de Lois Lancaster no trombone e na voz.

Todas as músicas são de autoria de Rogerio Skylab:
a música 3 foi feita em parceria com Maurício Pereira;
a música 10 foi feita em parceria com Marcelo Birck.

Obs.: O CD possui apenas 16 faixas

SEM ANESTESIA.      CD 9
         

Está preparada?
Quer anestesia?
- Não, anestesia não.
Tem certeza que não quer anestesia?
- Não, anestesia não.
Pronto, tá quase acabando.
Acabou. Viu como não dói?

       
         
        Voltar.
         
VÁCUO.      CD 9
         

Parece Vasco, mas é o vácuo.
Um buraco no meio e um vazio dentro.

Sem a força da gravidade, a gente flutua no vácuo.
E por mais que você fale, não adianta, é o vácuo.
Um buraco no meio e o vazio dentro.

Embalado a vácuo eu continuo.

Palavra estranha:
duas vogais se encontrando no vácuo.
E por mais que você fale, não adianta, é o vácuo.
Um buraco no meio e o vazio dentro.

Às vezes eu me confundo.
Eu não entendo.
Esvazia tudo...
e eu fico tonto.

Qual o seu signo?
Vácuo
O que você vai ser quando crescer?
Vácuo
Do nosso amor o que sobrou?
Vácuo
E por mais que você fale, não adianta, é o vácuo.
Um buraco no meio e o vazio dentro.

Um cu no meio do vácuo
Você não entende?
É o vácuo!
Um buraco no meio e o vazio dentro.

Parece Vasco, mas é o vácuo.
Um buraco no meio e o vazio dentro.

       
         
        Voltar.
         
SAMBA DE UMA SÓ NOTA AO CONTRÁRIO.       CD 9
         

Não somos arquitetos do peso,
Não somos sha-la-la por acaso.
Um tanto a contragosto extravaso,
Num samba de uma nota ao contrário.
Se você disser que eu desatino,
Só se for no Mi Bemol de algum samba,
Um samba de uma nota ao contrário.

De uma só nota samba do avesso,
Avesso do samba só uma nota,
Num timbre que transcende o bom gosto,
Num samba de uma nota ao contrário.
E nesse Mi Bemol solitário,
Num timbre que transcende o que é tosco,
Num samba de uma nota ao contrário.

       
         
        Voltar.
         
OFICIAL DE NOTÍCIA.       CD 9
         

Na primeira vez era domingo, dia 2 de setembro, meio dia.
Bateram à minha porta
E era o oficial de justiça.
Levaram geladeira, televisão, máquina de lavar roupas, microonda, freezer.
E a minha casa ficou vazia, vazia.

Na segunda vez chovia.
Bateram à minha porta
E era o oficial de justiça.
Levaram toca discos, penteadeira, relíquia do meu avô, mesa, quatro cadeiras.
E a minha casa vazia, vazia.

Na terceira vez eu já tinha morrido.
Bateram à minha porta
E era o oficial de justiça.
Levaram livros, discos...
Eu era só um compositor.
E a minha casa cada vez mais vazia.

Na quarta vez, eu tava quase esquecido.
Bateram à minha porta
E era o oficial de justiça.
Debaixo da terra, eu não compreendia.
Eu queria morrer e não conseguia.
Explique você essa parábola,
Essa melodia.

Na primeira vez era domingo, dia 2 de setembro, meio dia.
Bateram à minha porta
E era o oficial de justiça.
Explique você essa parábola,
Essa melodia.

       
         
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SHOW DO RAPPA.       CD 9
         

Outro dia,
Eu fui ao show do Rappa.
O que eles cantavam
Não entendia nada, nada, nada, nada!

Depois,
No hip-hop Rio,
O D2 falava,
Não entendia nada, nada, nada, nada!

Então,
Eu volto pro meu quarto,
To esfacelado,
Eu não entendo nada, nada, nada, nada!

Sei, existe pobre,
Polícia dá porrada,
Mas o que eu gosto mesmo
É de chupar buceta.

Buceta cabeluda, buceta japonesa, buceta americana, buceta portuguesa...
Sei, há desemprego,
PT, vudu e lama,
Mas o que eu gosto mesmo é de chupar buceta.

Cidade maravilhosa (maravilhosa!)
Cheia de encantos mil (encantos mil!)
Cidade maravilhosa
Coração do meu..
Cidade maravilhosa
cheia de encantos mil (de encantos mil!)
Cidade maravilhosa!
Coração do meu...

       
         
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  SKYLAB VIII LETRAS

1-TIRA TUDO
ISRC BR-ROX-08-00001

2-EU NÃO TÔ ENTENDENDO
ISRC BR-ROX-08-00002

3-BATMASTERSON
ISRC BR-ROX-08-00003

4-EU TÔ SEMPRE DOPADO
ISRC BR-ROX-08-00004

5-SAMBA BEM QUENTE
ISRC BR-ROX-08-00005

6-PRECISO DE VOCÊ COMIGO
ISRC BR-ROX-08-00006

7-BATMAN
ISRC BR-ROX-08-00007

8-EU ESTOU SÓ
ISRC BR-ROX-08-00008

9-LADRÃO É POLÍCIA
ISRC BR-ROX-08-00009

10-CASAS DA BANHA
ISRC BR-ROX-08-00010

11-PEIDA, PEIDA
ISRC BR-ROX-08-00011

12-CHEIRANDO MAL
ISRC BR-ROX-08-00012

13-EU SOU CLIENTE DE LÁ
ISRC BR-ROX-08-00013

14-O AR
ISRC BR-ROX-08-00014

15-MEU DIÁRIO
ISRC BR-ROX-08-00015

16-UM FURO
ISRC BR-ROX-08-00016

FICHA TÉCNICA.

Todas as músicas foram compostas por Rogério Skylab

A faixa 1 foi composta em parceria por Rogério Skylab e Alexandre Guichard

Em todas as faixas
guitarra: Thiago Amorim
Violão: Alexandre Guichard
Baixo: Rodrigo Saci
Bateria: Bruno Coelho

Nas faixas 1 e 5 – guitarra: Gabriel Muzak

Gravado na Cia dos Técnicos em 09/2007
Gravação e Mixagem: Vânius Marques
Masterização: Ricardo Garcia
Capa e diagramação: Carlos Mancuso
Foto: Solange Venturi

Este disco é dedicado ao meu amigo Marcos Petrilo, sempre presente.

TIRA TUDO – ISRC BR-ROX-08-00001.       CD 8
         
Tira tudo, tira tudo,
Tira o demônio, tira o demônio,
Um tiro na minha cabeça, um tiro na minha cabeça,
Atira, atira,
Tira a cabeça, tira a cabeça,
Tira o demônio da minha cabeça, tira o demônio da minha cabeça

       
         
        Voltar.
         
EU NÃO TÔ ENTENDENDO – ISRC BR-ROX-08-00002.       CD 8
         
Quê que ce disse?
Quê que ce disse?
Eu não tô entendendo.
Há muito tempo que eu não entendo mais nada.
Há muito tempo que eu não entendo mais nada.

       
         
        Voltar.
         
BATMASTERSON – ISRC BR-ROX-08-00003.       CD 8
         
No velho oeste ele nasceu
E entre os bravos se criou,
O tempo se enlouquesceu,
Batmasterson, Batmasterson. No velho oeste ele nasceu,
Entre os carros a passar,
Ele me apareceu,
Batmasterson, Batmasterson. Vivo na cidade grande,
Aqui, aqui,
O meu pensamento voa,
O Rio-Texas é aqui. No velho oeste ele nasceu,
Eu ia e vinha sem ter fim,
Mas o milagre aconteceu,
Batmasterson, Batmasterson. No velho oeste ele nasceu,
Entre traças e cupins,
Pensei que eu ia te perder,
Batmasterson, Batmasterson. Um coração solitário,
Assim, assim,
O gado cruza o asfalto,
O infinito é aqui.

       
         
        Voltar.
         
EU TÔ SEMPRE DOPADO – ISRC BR-ROX-08-00004.       CD 8
         
Eu to sempre dopado,
Eu to sempre dopado... No meio da rua
Fazendo música,
Indo pro trabalho,
Com a tv ligada, Eu tô sempre dopado,
Eu to sempre dopado. No meio dos carros,
Dentro do sistema,
Cheirando fumaça,
Mesmo careta, Eu to sempre dopado,
Eu to sempre dopado. De janeiro à dezembro
Eu não sinto nada,
Você não entende,
Eu sou uma máquina. Eu to sempre dopado,
Eu to sempre dopado.

       
         
        Voltar.
         
UM SAMBA BEM QUENTE – ISRC BR-ROX-08-00005.       CD 8
         
Agora eu vou fazer um samba bem quente,
Um samba com aparência de raio laser,
Um samba que entre fundo na alma da gente,
Fazendo uma bagunça no corpo inteiro. Um samba que nos deixe boquiaberto e mudo,
Samba que tem um jeito de fim de mundo,
Samba que solta grito e rodopia em fúria,
Caboclo e pombagira numa noite escura. Samba que tem gnomos, passarinhos eletrônicos,
Harmonizando a lua com a bomba atômica,
Samba de um paraíba que perdeu a vida
E vai se masturbando no cinema Íris. Samba dodecafônico e movido a diesel
Mas no Rio de Janeiro é uma explosão de lírios.
É um samba como os outros, sem nenhum mistério,
Mas às vezes é chamado de Tempos Modernos.
       
         
        Voltar.
         
PRECISO DE VOCÊ COMIGO – ISRC BR- ROX-08-00006.       CD 8
         
E é por isso que eu preciso de você comigo,
E é por isso que eu preciso de você comigo No Baixo, no Jardim do Méier,
No Canal do Mangue, no Arpoador,
Eu não sou rei de ninguém,
Não sou escravo também. Ando na praia de Copacabana,
No sol de Ipanema, num bar do Leblon. E é por isso que eu preciso de você comigo,
E é por isso que eu preciso de você comigo.
       
         
        Voltar.
         
BATMAN – ISRC BR-ROX-08-00007.       CD 8
         
Quando a noite cai
e tudo está tão mal,
você pode ver
Batman. Pontapé nos rins,
Soco no nariz,
Tudo isso é
Batman. O que eu não sei,
Música e caos,
Onde está você?
Batman, Batman, Não sei quem sou eu,
Não sei quem é você,
Eu só sei dizer
Batman. Gottan City é
O que você quiser,
Bota pra foder,
Batman. Tudo isso dá
Cólica Mental,
Te vi na TV,
Batman, Batman. Último dos bens,
Robin onde andará,
Minha mãe, meu pai,
Batman. Samba e rock and roll,
O ritmo do jazz,
Tudo isso é
Batman O que se rompeu,
Tudo se esvai,
Quê que aconteceu?
Batman, Batman
       
         
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EU ESTOU SÓ – ISRC BR-ROX-08-00008.       CD 8
         
Eu estou
Eu estou só
Eu estou só vendo
Eu estou só vendo abismo
Eu abismo
Eu
Eu Abismo,
Vendo abismo
Eu vendo abismo,
Eu só vendo abismo,
Eu estou só vendo abismo,
Eu,
Eu
       
         
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LADRÃO É POLÍCIA - ISRC BR-ROX-08-00009.       CD 8
         
O fundo é a forma
E a forma é o fundo.
A curva é uma reta
E a reta é uma curva.
O profundo é a pele,
A pele é o profundo,
A pele é o profundo,
A pele é o profundo.
O cu é a boca
E a boca é o cu,
A língua é a fala
E a fala é a língua,
Em todo momento
Polícia é ladrão,
Polícia é ladrão,
polícia é ladrão.
Ladrão é polícia,
Polícia é ladrão,
Ladrão é polícia,
Polícia é ladrão,
Ladrão é polícia,
Polícia é ladrão,
Polícia é ladrão,
Polícia é ladrão. O dentro é o fora
E o fora é o dentro,
O liso é a dobra
E a dobra é o liso,
De trás para frente,
De frente pra trás
De frente pra trás
De frente pra trás.
O estranho é tudo,
Tudo é estranho,
O lixo do luxo,
O luxo do lixo,
Em todo momento
O início é o fim,
O início é o fim,
O início é o fim.
O fim é o início,
O início é o fim,
O fim é o início,
O início é o fim,
O fim é o início,
O início é o fim,
O início é o fim,
O início é o fim.
       
         
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CASAS DA BANHA – ISRC BR-ROX-08-00010.       CD 8
         
Vou dançar o tchá tchá tchá,
Casas da Banha,
Alegria vem de lá,
Casas da Banha,
Também vou aproveitar,
Casas da Banha,
É lá que eu quero comprar,
É lá que eu quero comprar. Desce o morro com fuzil,
Casas da Banha,
Tudo aqui vai explodir,
Casas da Banha,
Também vou aproveitar,
Casas da Banha,
É lá que eu vou saquear,
É lá que eu vou saquear. Pelas ruas a gritar,
Tá tudo em chamas,
Um edifício agora cai,
Outro balança,
O inimigo pede paz,
Não adianta,
Os deuses querem muito mais,
Os deuses querem muito mais. Uma criancinha jaz,
suja de sangue,
Outra ali se arrasta e vai
cheia de cancro,
Vou dançar o tchá tchá tchá,
Casas da Banha,
É lá que eu quero comprar,
É lá que eu quero comprar. Te dedico essa canção,
Casas da Banha,
A usura dá o tom
Na melodia,
Vou pisando a multidão
Dos que caíram,
Não há mais espaço no chão,
Não há mais espaço no chão. Um estrondo então se ouviu,
Casas da Banha,
Tudo se escureceu
E era ainda dia,
O planeta se partiu
Em pedacinhos
E um longo silêncio se ouviu,
Um longo silêncio se ouviu. Vou dançar o tchá tchá tchá,
Casas da Banha,
Alegria vem de lá,
Casas da Banha,
Todo parecem faquir,
Casas da Banha,
A arte pra mim é assim,
A arte pra mim é assim.
       
         
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PEIDA, PEIDA - ISRC BR-ROX-08-00011.       CD 8
         
Peida, peida...
Eu peido no carro,
No elevador,
Na sala de aula,
Fazendo amor.
O peido não pensa,
O peido é assim,
Eu peido pra ela,
Ela peida pra mim. Peida, peida... O peido do Papa,
O peido de Deus,
A Gisele Bunchen,
Ela peida também.
Peidar é gostoso,
Peidar é tão bom,
Eu nunca disfarço,
Eu peido no tom. Peida, peida... Peido ardido,
Peidinho, peidão,
De todos os tipos
Em todos os tons.
Bomba! Bomba!
Não mata ninguém,
O peido alivia,
O peido faz bem. Peida, peida...
       
         
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PEIDA, PEIDA - ISRC BR-ROX-08-00011.       CD 8
         
Peida, peida...
Eu peido no carro,
No elevador,
Na sala de aula,
Fazendo amor.
O peido não pensa,
O peido é assim,
Eu peido pra ela,
Ela peida pra mim. Peida, peida... O peido do Papa,
O peido de Deus,
A Gisele Bunchen,
Ela peida também.
Peidar é gostoso,
Peidar é tão bom,
Eu nunca disfarço,
Eu peido no tom. Peida, peida... Peido ardido,
Peidinho, peidão,
De todos os tipos
Em todos os tons.
Bomba! Bomba!
Não mata ninguém,
O peido alivia,
O peido faz bem. Peida, peida...
       
         
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CHEIRANDO MAL – ISRC BR-ROX-08-00012.       CD 8
         
Eu não tenho, nunca tive higiene,
Num outro dia com um pedaço de pau
Arranquei do meu dente um naco de carne
cheirando mal. Não tem jeito, eu sou assim mesmo,
tenho uma verruga no pau,
A pele com sarna, os cabelos sebosos,
Cheirando mal. Pardon, monsieur,
Sou como você,
Não gosto de tomar banho,
No calor ou mesmo no frio,
To sempre cheirando mal. Outro dia, no elevador cheio
Eu soltei um peido mortal,
As secretárias, os executivos
Cheirando mal.

Gosto do cheiro que vem dos bueiros,
Dos charcos e dos lamaçais,
um cheiro podre que exala um cadáver
cheirando mal. Pardon, monsieur,
Sou como você,
Não gosto de tomar banho,
No calor ou mesmo no frio.
To sempre cheirando mal. Contraposto aos novos tempos
Em busca de paz,
A alegria de um cão sarnento
Cheirando mal. Permaneço longe das estrelas,
Em meio ao caos,
Na minha garganta muito catarro
Cheirando mal. Pardon, monsieur,
Sou como você,
Não gosto de tomar banho,
No calor ou mesmo no frio,
Tô sempre cheirando mal.
       
         
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EU SOU CLIENTE DE LÁ – ISRC BR-ROX-08-00013.       CD 8
         
No meio dos laticínios
Maconha e cocaína,
Palha de aço e presunto,
Detergente e todynho.
Sabonete eucalol,
Grapete bem geladinho,
É lá que eu faço minhas compras,
Eu sou cliente de lá. Tem ladrão, tem polícia,
Tem costela de pobre,
Tem presunto de Parma,
Tem defunto fresquinho,
Doce de abóbora com carne seca,
Você pode encontrar,
É lá que eu faço minhas compras,
Eu sou cliente de lá. Tem joelho de porco,
Tem boceta de puta,
Açúcar com neocid,
Tem balinha de coco,
Na promoção da semana –
Mico Leão Dourado,
É lá que eu faço minhas compras,
Eu sou cliente de lá. Tem leite de magnésia,
Antrax e Gardenal,
Vírus de toda espécie,
Me diz o que eu vou comprar,
Um parafuso, uma ruela,
A máscara que eu vou usar,
É lá que eu faço minhas compras,
Eu sou cliente de lá.

       
         
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O AR – ISRC BR-ROX-08-00014.       CD 8
         
O ar, o ar,
Tá me faltando ar.
O ar, o ar,
O fundamento, o ar.
Mais, mais,
O meu pulmão que mais,
O ar, o ar,
Eu quero respirar.

       
         
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MEU DIÁRIO – ISRC BR-ROX-08-00015.       CD 8
         
Marcos Petrilo, um amigo meu,
Transou com um pastor alemão,
Ficou grávido e deu a luz
À um filhote de Cruz Credo.
Pela janela do ônibus
Vi um sujeito mijando na rua.
Até aí tudo bem,
Sentiu vontade de mijar, mijou.
Na Bahia é assim também.
O estranho foi o piru do indivíduo,
De tal maneira que eu pude constatar em loco
Como os seres humanos são tão diferentes.
Nacional é o cacete!!!!
Viva a Cultura !!!!!!!
A medicina podia desenvolver um piru
Sobressalente pras mulheres.
Eu não sou gilete não,
Eu não sou gilete não,
Eu não sou gilete não.
Noite de terror e pânico.
Minha mulher estava grávida
Então resolvi eu mesmo fazer o parto.
A criança nasceu morta.
Então a segurei pelo cordão umbilical
E girei ela no ar
Formando círculo concêntricos
Até arremessá-la longe,
Pra muito longe dali.
Enquanto isso minha mulher se esvaía em sangue,
Então, com as próprias mãos,
Arranquei-lhe o útero, o ovário, a bexiga,
O intestino grosso, o pâncreas,
Até formar um corpo sem órgãos.
Rio de Janeiro, 21 de abril de 2001.
Cada um tem o seu diário.
O meu é assim.

       
         
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UM FURO – ISRC BR-ROX-08-00016.       CD 8
         
Quem que furou, quem que furou,
Um furo no meio de mim,
Furo de que, furo de que, Eu tava bem, eu tava bem,
Um furo no meio de mim,
Mais uma vez, mais uma vez.
. O dia nasceu, o céu tava azul,
Um furo no meio de mim,
Não entendo bem, não entendo bem Agora eu já sei, agora eu sei,
Um furo no meio de mim.
É um furo no meio, no meio de mim,
É um furo no meio de mim.

       
         
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  SKYLAB VII LETRAS

1- QUAL FOI O LUCRO OBTIDO ?
2- HÁ QUANTO TEMPO ?
3- QUANTO MAIS SAÚDE EU MORRO
4- SAMBA ISQUEMIA NOISE
5- CORPO E MEMBRO SEM CABEÇA
6- EU CHUPO MEU PAU
7- É TUDO ATONAL
8- DÁ UM BEIJO NA BOCA DELE
9- CHOVE CHUVA NA MINHA CABEÇA
10- A IRMÃ DA MINHA MULHER
11- HEI MOÇO, JÁ MATOU UMA VELHINHA HOJE?
12- EU VOU DIZER
13- VOU, VOU, VOU
14- O PRIMEIRO TAPA É MEU
15- DEPERDÍCIO DE TUDO
16- A ÚLTIMA VALSA
17- AS ASAS DE UM ANJO
18- O MUNDO TÁ SEMPRE GIRANDO

FICHA TÉCNICA.

Guitarra: Thiago Amorim
Baixo: Alex Curi
Violão: Alexandre Guichard
Batera: Bruno Coelho
Voz: Rogério Skylab

Produção: Rogério Skylab
Arranjo: Rogério Skylab e banda
Gravação e Mixagem: Vânius Marques
A gravação foi feita na Cia dos Técnicos em set/2006
Masterização: Luís Tornaghi (Estúdio Vison)
Capa do cd : Carlos Mancuso
Foto: Solange Venturi

As músicas 7, 8  e 12 foram compostas por Rogério Skylab em parceria com Zé Felipe (Zumbi do Mato).
A música 4 foi composta por Rogério Skylab em parceria com Marlos Salustiano (ex Zumbi do Mato).
A música 18 foi composta por Rogério Skylab e Maurício Pereira (Mulheres Negras) e é cantada em dueto pelos dois compositores.

Todas as demais músicas foram compostas exclusivamente por Rogério Skylab.

Este disco é dedicado à um antigo fã de Rogério Skylab: Delfim

QUAL FOI O LUCRO OBTIDO.       CD 7
         
Viajei pra São Paulo numa velocidade de 140 Km por hora.
Minha concubina cumpre o mesmo percurso a 20 km por hora.
Quem chega primeiro?
E qual foi o lucro obtido?
Qual foi o lucro obtido?

Comprei um fuzil AR15 por cinqüenta mil reias.
Meses depois, vendi esse mesmo fuzil por 5 mil reias.
Pergunta-se:
Qual foi o lucro obtido?
Qual foi o lucro obtido?

Me casei, tive dois filhos.
Me separei, pago pensão e sou fodido.
Qual foi o lucro obtido?
Qual foi o lucro obtido?

Um cyborg entrou em pane.
Pergunto seu nome e ele responde:
Qual foi o lucro obtido?
Qual foi o lucro obtido?

Eu olho pra você e você olha pra mim.
Eu olho pra você e você olha pra mim.
Qual foi o lucro obtido?
Qual foi o lucro obtido?

Urinei no poste da primeira esquina.
Uma operária me viu e gritou assim:
Qual foi o lucro obtido?
Qual foi o lucro obtido?

Estou doente em cima de uma cama.
Um corvo na janela grita:
Qual foi o lucro obtido?
Qual foi o lucro obtido.

       
         
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HÁ QUANTO TEMPO?       CD 7
         

Há quanto tempo?
Há quanto tempo?
Há quanto tempo?

Há quanto eu não leio jornal?
Há quanto tempo eu não vejo TV?
Há quanto tempo eu não ouço música?
Há quanto tempo eu não falo com ninguém?

Há quanto tempo eu não saio de casa?
Há quanto tempo não vejo ningém?
Há quanto tempo eu não penso em nada, nada, nada?

Há quanto tempo?
Há quanto tempo?
Há quanto tempo?

       
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QUANTO MAIS SAÚDE EU MORRO       CD 7
         
Quanto mais saúde eu morro,
Quanto mais doente eu fico vivo.

       
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SAMBA ISQUEMIA NOISE       CD 7
         
O samba é o pai de todos.
No samba eu me criei.
Com o samba eu faço música.
O samba é o puro prazer.
Samba que eu quero ver.

O samba é muito esquisito.
O samba não tem pai nem mãe.
O samba vive no exílio.
O samba não tem amanhã.
O samba é o impossível.

O samba nunca tem sentido.
Quem faz samba é ET.
O samba é totalmente nerd.
Samba que eu quero ver.
O samba vem dos intestinos,
Do pâncreas e também dos rins.
Samba só pra mim.


       
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CORPO E MEMBRO SEM CABEÇA       CD 7
         
A dança do corpo e dos membros,
A dança do corpo e dos membros,
Corpo e membro sem cabeça,
Corpo e membro sem cabeça.

O canto da cantora muda,
O canto da cantora muda,
Canta, canta, surda-muda,
Canta, canta surda-muda.

O dedo mindinho do Lula,
O dedo mindinho do Lula,
O olho de Luís de Camões,
O olho de Luís de Camões.

O sorriso do gato de Alice,
O sorriso do gato de Alive,
As pernas do Lars Grael,
As pernas do Lars Grael.

As fotos de um fotógrafo cego,
As fotos de um fotógrafo cego,
Os dentes de uma banguela,
Os dentes de uma banguela.
O samba de uma songa-monga,
O samba de uma songa-monga.
Samba, samba, songa-monga,
Samba, samba, songá-monga.

O discurso de um homem gago,
O discurso de um homem gago.
Uma gag, um homem gago,
Uma gag, um homem gago.

O piru de um travesti operado,
O piru de um travesti operado,
Poesia é o caralho,
Poesia é o caralho.

A dança de uma paralítica,
A dança de uma paralítica,
Remechendo na cadeira,
Remechendo na cadeira.

A dança do corpo e dos membros,
A dança do corpo e dos membros,
Corpo e membro sem cabeça,
Corpo e membro sem cabeça.


       
        Voltar.
         
EU CHUPO MEU PAU.       CD 7
         
Eu me olho.
Eu te olho?
Não, eu me olho.
O olho é seu?
Não, o olho é meu.
Se fosse fácill se olhar
Quem diria EU?
Eu me olho.
Eu te olho?
Não, eu me olho.
O olho é seu?
Não, o olho é meu !!!!!

Eu chupo meu pau.
Eu chupo seu pau?
Não, eu chupo meu pau.
O pau é seu?
Não, o pau é meu.
Se fosse fácil chupar o próprio pau
Cada um chupava o seu.
Eu chupo o meu pau.
Eu chupo o seu pau?
Não, eu chupo o meu pau.
O pau é seu?
Não, o pau é meu !!!!!

Eu me mato.
Eu te mato?
Não, eu me mato.
A morte é sua?
Não, a morte é minha.
Se fosse fácil se matar,
Todo mundo morria.
Eu me mato.
Eu te mato?
Não, eu me mato.
A morte é sua?
Não, a morte é minha !!!!!!

 Eu chupo meu pau.
Eu chupo seu pau?
Não, eu chupo meu pau.
O pau é seu?
Não, o pau é meu.
Se fosse fácil chupar o próprio pau
Cada um chupava o seu.
Eu chupo o meu pau.
Eu chupo o seu pau?
Não, eu chupo o meu pau.
O pau é seu?
Não, o pau é meu !!!!!

Eu me drogo.
Eu te drogo?
Não, eu me drogo.
A droga é sua?
Não, a droga é minha.
Se fosse fácil se drogar,
Quem não se drogaria?
Eu me drogo,
Eu te drogo?
Não, eu me drogo.
A droga é sua?
Não, a droga é minha !!!!!!

Eu me olho.
Eu te olho?
Não, eu me olho.
O olho é seu?
Não, o olho é meu.
Se fosse fácill se olhar
Quem diria EU?
Eu me olho.
Eu te olho?
Não, eu me olho.
O olho é seu?
Não, o olho é meu !!!!!

       
        Voltar.
         
É TUDO ATONAL       CD 7
         
Tá todo mundo pensando que tudo é tão natural.
Ta todo mundo pensando que tudo é tão natural.
Tá todo mundo pensando.
Tá todo mundo pensando que tudo é tão natural.

É tudo atonal.
É tudo atonal.


       
        Voltar.
         
DÁ UM BEIJO NA BOCA DELE       CD 7
         
Jabiando, jabiando.
Mantém a guarda, mantém a guarda.
Não dá distância, não dá distância.
Olha pra frente, olha pra frente.
Joelhada, joelhada.
Leva ele pro chão, leva ele pro chão.
Valeu garoto, valeu garoto.

Imobiliza, imobiliza.
Agora porrada, agora porrada.
Dá na cabeça, dá na cabeça.
Língua na nuca, língua na nuca.
Valeu garoto, valeu garoto.
Mão na bunda, mão na bunda.
Ele vai bater, ele vai bater.
Aproveita agora, aproveita agora.
Dá um beijo na boca dele. Dá um beijo na boca dele.
Valeu garoto, valeu garoto.

Agora porrada, agora porrada.
Dá na cabeça, dá na cabeça.
Língua na nuca, língua na nuca.
Ele vai bater, ele vai bater.
Aproveita agora, aproveita agora.
Dá um beijo na boca dele, dá um beijo na boca dele.
Valeu garoto, valeu garoto


       
        Voltar.
         
CHOVE CHUVA NA MINHA CABEÇA       CD 7
         
Chove chuva na minha cabeça,
Chuva fria na minha cabeça,
Minha vida inteira,
Chuva na cabeça,
Tá relampejando no céu da minha cabeça.

Tudo ecoa na minha cabeça
Se acaso a chuva não escoa
Da minha cabeça,
O pensamento voa
Por entre as gotas dessa chuva que ressoa.

Chove dentro da minha cabeça,
Ouço vozes na minha cabeça,
Por todos os poros
Da minha cabeça,
A chuva escorre pelos córneos da minha cabeça.

Nuvens negras na minha cabeça,
Fim do mundo na minha cabeça,
O meu corpo treme,
Estranha beleza,
Vou dançando sob a chuva na minha cabeça.


       
        Voltar.
         
A IRMÃ DA MINHA MULHER       CD 7
         
A irmã da minha mulher
me diz que o mundo é assim.
A irmã da minha mulher,
Desencontrado, eu me vi.
A irmã da minha mulher
É um labirinto, não tem fim.
A irmã da minha mulher
Me diz que não tá nem aí.

A irmã da minha mulher
Estuda cinema em Paris.
A irmã da minha mulher
Mora sozinha e é feliz.
A irmã da minha mulher
Meche tanto com os quadris.
A irmã da minha mulher
Me deixa assim fora de si.

A irmã da minha mulher
Parece com a Gisele Bunchen.
A irmã da minha mulher
Tá sempre pronta a dizer SIM.
A irmã da minha mulher
Tem os olhos azulzinho.
A irmã da minha mulher
Me diz que a lei é sempre ruim.

A irmã da minha mulher
Foi morta por um homem vil
A irmã da minha mulher
Gritava mas ninguém ouviu.
A irmã da minha mulher
Morreu olhando para mim.
A irmã da minha mulher
É tudo que eu sempre quis.


       
        Voltar.
         
HEI, MOÇO, JÁ MATOU UMA VELHINHA HOJE       CD 7
         
Hei, moço, já matou uma velhinha hoje?
Dessas que atravancam
O meu, o seu, o nosso caminho.

Hei, moço, já matou uma velhinha hoje?
O pensamento lateja
Na minha, na sua, na nossa cabeça.
Hei, moço, já matou uma velhinha hoje?


       
        Voltar.
         
EU VOU DIZER       CD 7
         
Atenção, atenção.
Mãozinha pra cima.
Mãozinha pra baixo.
Olha prum lado.
Olha pro outro.
Eu vou dizer,
Eu vou dizer.

Barra, Flexão.
Esteira, bicicleta.
Pulando corda:
1,2,3
1,2,3
Não pára.
Eu vou dizer,
Eu vou dizer.

Inspira pelo nariz.
Expira pela boca.
Abre as pernas.
Encosta a mão no chão.
Eu vou dizer.
Eu vou dizer.

Abaixa, sobe.
Abaixa, sobe.
Mão nas cadeiras.
Olha pra mim.
Olha pra mim.
Eu vou dizer.
Eu vou dizer.

Abaixa, sobe.
Abaixa, sobe,
Relaxa os ombros.
Olha pra mim.
Olha pra mim.
Tá acabando.
Tá acabando.
Mais um pouco.
Mais um pouco.
Eu vou dizer.
Eu vou dizer.

Barra, flexão.
Olha pra mim.
Olha pra mim.
Eu vou dizer.
Eu vou dizer.
Você é gay.
Você é gay.

Não !!!   Não !!!!!


       
        Voltar.
         
VOU, VOU, VOU       CD 7
         
Vou, vou, vou.
Eu não sei dizer voltar.
Eu não sei dizer voltar.
Eu não sei dizer voltar.

É tão doce, tão ruim,
Tão amargo, tão sem fim,
Tão difícil, tão real,
Tão gostoso, tão fulgaz.

Tão bonito, tão legal,
Tão estranho, tão banal,
Tão escuro, tão liláz,
Tão medonho, tão normal.

Vou, vou, vou.
Eu não sei dizer voltar.
Eu não sei dizer voltar.
Eu não sei dizer voltar.

       
        Voltar.
         
O PRIMEIRO TAPA É MEU       CD 7
         
Quer mais? Quer mais? Quer mais?
Então toma.
Um momentinho, um momentinho, um momentinho.
Mas o primeiro tapa é meu.
Quer mais? Quer mais? Quer mais?
Não desiste, né?
Então toma !!!!
Um momentinho, um momentinho, um momentinho..
Mas o primeiro tapa é meu.

Perseverante, hein?
Então toma !!!!
Um momentinho, um momentinho, um momentinho.
Oh Pai !  Estou todo arrebentado
Mas o primeiro tapa é meu.

Quer mais? Quer mais? Quer mais?
Então toma !!!!!

       
        Voltar.
         
DESPERDÍCIO DE TUDO       CD 7
         
Desperdício de luz,
Desperdício de água,
Desperdício de sonhos,
Desperdício de lágrimas.
Desperdício de tudo,
Desperdício do som,
Desperdício que eu gosto,
Desperdício tão bom.

Desperdício de tudo, desperdício.
Desperdício de tudo, desperdício.

Desperdício de coisas,
Desperdício de nomes,
Desperdício dos anos,
Desperdício que eu vi.
O desperdício de grana
Desperdício é assim,
Desperdício constante,
Desperdício sem fim.

Desperdício de tudo, desperdício.
Desperdício de tudo, desperdício.


       
        Voltar.
         
A ÚLTIMA VALSA       CD 7
         
Beber, beber, beber até cair.
Depois se reerguer e partir
Por ruas sem nomes eu vou por aí
Sem sofrer, sem chorar, sem pedir.

Voar, voar, sem medo de ir
Pra longe do mundo e de mim.
Astros e estrelas num céu a luzir.
Quem eu sou, quem serei, quem eu fui?

O céu é azul, os homens são gris.
Nada no bolso ou nas mãos.
Eu vou pelo simples prazer de seguir
Sem início, sem meio, sem fim.

       
        Voltar.
         
AS ASAS DE UM ANJO       CD 7
         
Numa clara manhã reluz as asas de um anjo,
Planando sob o céu azul, emitem bons fluidos.
Mas pode ser as asas de um corvo,
Me dando insônia, mal estar e azar em tudo.

Quem sabe se amanhã serei uma bailarina,
Dançando nas pontas dos pés o Canto do Cisne.
Posso também ser um troglodita
E com um punhal rasgar a carne do meu próprio filho.

Seus lábios cor de açaí, neles se misturam
Bardoux, Deneuve, Adjani, num vermelho puro.
Mas pode ser sangue de escorbuto
Que vai saindo gota a gota do seu corpo imundo.

Dizer depois me desdizer numa luta infinda.
Os médicos diagnosticam: esquizofrenia.
Mas para mim, acho que é alegria.
Voar, voar, voar em todos os sentidos.

       
        Voltar.
         
O MUNDO TÁ SEMPRE GIRANDO       CD 7
         
Às vezes eu fico pensando
Como é que se pode ficar
Parado no meio do mundo
Se o mundo tá sempre a girar.

Por mais que eu fique calado,
Parado no mesmo lugar,
Eu fico girando no mundo
E o mundo comigo a girar.

Meu amor, meu amor, meu amor.

As coisas que eu falo agora
Nem mesmo consigo entender,
Quem sabe um dia eu traduza
O que pra mim foi você.

Os automóveis passando,
As ondas do rádio, a TV,
Um monte de gente falando,
O Homem Bomba !!!

É que o mundo tá sempre girando,
Não é difícil entender,
Quem sabe um dia eu te encontro
No Baixo, no Harley ou talvez

Pulando de um edifício,
Girando em pleno ar.
É que o mundo tá sempre girando
E eu fico girando também,
As coisas que eu falo agora
Eu não consigo entender.

       
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  SKYLAB VI LETRAS

  1- ALUCINAÇÃO
  2- ISTO NÃO É JOHN CAGE
3- CU E BOCA
4- HINO NACIONAL DO SKYLAB
5- VAMOS REPETIR DE NOVO
6- QUER TC COMIGO?
7- QUANTO PIOR, MELHOR
8- AMO MUITO TUDO ISSO
9- TORTO, TORTO
10- TUDO ME FAZ BEM
11- CADÊ MEU PAU?
12- DEDO, LÍNGUA, CU E BOCETA
13- TODO MUNDO MORA MAL
14- PÁRA DE RONCAR, FILHA DA PUTA !!!
15- EU E VOCÊ
16- PÕE A CABEÇA NO CU
17- EU NÃO TENHO EU
18- ME DÁ TUDO QUE TIVERES
19- TUDO

FICHA TÉCNICA.

Autoria das Músicas – Rogério Skylab
Violão - Alexandre Guichard
Batera - Bruno Coelho
Guitarra – Tiago Amorim
Guitarra – Gabriel Muzak
Baixo - Rodrigo Saci
Voz - Rogério Skylab
Capa - Carlos Mancuso
Foto - Solange Venturi
Gravação- Vânius Marques (Estúdio Cia dos Técnicos) – AGO/2005
Mixagem - Vânius Marques
Masterização – Luis Tornaghi (Estúdio Vison)
Site - www.rogerioskylab.com.br
Email - rogério_skylab@uol.com.br ; skylab@rota66.com.br
Contato p/ show – xxx-21-2295-2218 – falar com Solange

ALUCINAÇÃO.       CD 6
         
...
       
         
ISTO NÃO É JOHN CAGE.       CD 6
         
...
       
         
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CU E BOCA.       CD 6
         
Linda, o cabelo cacheado, os seus olhos esmeraldas e a pele de cetim.
Mas se a beijava, vinha um cheiro de esgoto
que saía do seu estômago e entrava em meu nariz.
Um dia desses, eu beijava o seu pinguelo
quando assim bem de repente, ela peidou.
Aí então eu pude constatar que o cheiro da sua boca era igual, era igual.
Depois disso eu concluí,
depois disso eu concluí,
depois disso eu concluí,
cu e boca é tudo a mesma coisa.
       
         
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HINO NACIONAL DO SKYLAB.       CD 6
         
Luís Inácio vagabundo, fiá da puta,
Yolanda vagabunda, fiá da puta,
Margarida vagabunda, fiá da puta,
Todo mundo vagabundo, fiá da puta.
Eu também sou vagabundo, fiá da puta,
Tony Blair, George Bush,
Todo mundo vagabundo e fiá da puta-tá. Solange vagabunda, fiá da puta,
Camilo vagabundo, fiá da puta,
Fluminense vagabundo, fiá da puta,
O meu salário vagabundo, fiá da puta.
O que eu faço é vagabundo, fiá da puta,
Poesia, melodia,
Tudo em mim é vagabundo e fiá da puta-tá. Sua boca vagabunda, fiá da puta,
Sua cabeça vagabunda, fiá da puta,
O seu corpo é vagabundo, fiá da puta,
Sua bunda vagabunda, fiá da puta.
Sua vida é vagabunda, fiá da puta,
seus amigos, suas roupas,
Tudo em ti é vagabundo e fiá da puta-tá.

       
         
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VAMOS REPETIR DE NOVO.       CD 6
         
Vamos bloquear as redes,
vamos explodir as pontes,
vamos decepar um braço,
vamos mutilar um dedo,
vamos arrancar um olho,
vamos se fechar num quarto,
vamos ficar surdo e mudo,
vamos repetir de novo.

       
         
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QUER TC COMIGO?       CD 6
         
Como você chama?
O que você faz?
A sua idade?
O nome dos seus pais?
Com quem você anda?
Como você é?
O que mais te assusta?
O que você quer?
Quer tc comigo?
O seu telefone?
O seu ICQ?
O seu CPF?
O seu RG?
Você tem email?
Tem webcam?
Tece a noite inteira?
Dorme de manhã?
Quer tc comigo?
E se eu for on-line?
Se você for trash?
Se eu for linguagem
E você também?
E se eu não for Homem?
E nem você Mulher?
Como ficam as coisas?
Diz como é que é?
Quer tc comigo?

       
         
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QUANTO PIOR, MELHOR.       CD 6
         
Por isso tá tudo ruim,
A infidelidade, oh minha amiga,
Quisera tê-la no mar,
Eu não tenho money, eu não tenho amor,
Quando você vomita no meu tapete indiano,
Num céu de muito arranha-céus,
Parece que tudo carece de exatidão,
Você já foi à Bahia, nega? Não?
Então foda-se.
Quanto pior, melhor.
Quanto pior, melhor.
No início eu tinha pressão alta.
Urubu, meu companheiro,
Eu compus um blue cheio de dor pra gente rir.
Então olho pra vitrola,
Depois olho pro relógio,
Depois olho pro espelho,
Então eu fico pensando:
Quanto pior, melhor.
Quanto pior, melhor.
Abri a geladeira do IML,
Meu bem, eu te conheci na CTI.
Ela tinha 8 anos,
O seu nome era Alice,
Levei-a pro meu quarto,
Ofereci chocolate.
Yoga é o caralho !!!
Mestre de Rose é o caralho !!!!
E Getúlio respondeu: a lei, a lei, lei
Quanto pior melhor,
Quanto pior melhor.
Por isso tá tudo ruim,
A infidelidade, óh minha amiga,
Quisera tê-la no mar,
Eu não tenho money, eu não tenho amor,
Quando você vomita no meu tapete indiano,
Num céu de muito arranha-céus,
Parece que tudo carece de exatidão.
Você já foi à Bahia, nega? Não?
Então foda-se.
Quanto pior, melhor.
Quanto pior, melhor.

       
         
        Voltar.
         
AMO MUITO TUDO ISSO.       CD 6
         
Amo muito tudo isso,
Amo tudo muito isso,
Muito tudo amo isso,
Tudo isso amo muito.
Muito tudo, tudo muito,
Amo isso, isso, isso,
Amo muito, muito tudo,
Amo muito tudo isso.
Tudo, tudo, tudo, tudo,
Isso muito tudo isso,
Amo muito isso tudo,
Amo tudo muito isso,
Amo muito tudo isso,
Amo tudo muito isso,
Muito tudo amo isso,
Tudo isso amo muito.

       
         
        Voltar.
         
TORTO, TORTO.       CD 6
         
Boca torta, olho torto, um torto.
Torto-vivo, torturado e torto.
Linhas tortas, testículo torto,
Entorto, um torto entorta.
Torto dia um torto entorta,
Torto mundo entorta um torto,
Fica torto torto distorcido,
Tortamente eu torto torto.

       
         
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TUDO ME FAZ BEM.       CD 6
         
Bactéria, gonococus, parasita,
é muito legal,
tudo me faz bem,
soro-positivo pra você
e pra mim também.
Dor-de-corno, Mal de Parkison, tô de porre,
eu excreto pus e sangue pelo cu.
Hepatite B é muito bom,
tudo me faz bem.
Câncer nos pulmões,
cálculo nos rins,
hemorroídas sim,
tudo me faz bem, bem.

       
         
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CADÊ MEU PAU?       CD 6
         
Não !!!! Roubaram meu pau !!!!!
Capado !! Canalha !!!
Não !!!! Roubaram meu pau !!!!!
Destroço !!!! Estrago !!!!!
Não !!!! Roubaram meu pau !!!!!!
Castrado !!!! Cadáver !!!! Catástrofe !!!!
O pesadelo só começou.
Cadê meu pau?
Cadê meu pau?

       
         
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DEDO, LÍNGUA, CU E BOCETA.       CD 6
         
Dedo, língua, cu e boceta,
Dedo, boceta, língua e cu.
Dedo na língua, língua no dedo,
Cu na boceta, boceta no cu.
Dedo na boceta, língua no cu,
Lingua na boceta, dedo no cu,
Dedo, língua, cu, boceta também,
Boceta vezes dedos, noves fora CÚ.
Língua, língua, língua, dedo no cu,
Dedo de boceta, língua do cu.
Dedo, língua, cu e boceta,
Dedo, boceta, língua e cu.

       
         
        Voltar.
         
TODO MUNDO MORA MAL.       CD 6
         
Quê que eu tô fazendo aqui?
Eu vim mijar e acabei cagando.
Caralho !!!!! Tô mijando sangue !!!!
Puta que pariu !!!!! Perdi a carteira.
Sujou, sujou.
Por que dói quando eu mijo?
Quem é pior Zélia Duncam ou Ana Carolina?
Fodeu, fodeu.
Eu fico nervoso.
Quê que tá acontecendo?
Eu não tô entendendo.
Todo mundo mora mal,
todo mundo mora mal.
Quem que disse isso?
Seria tanto se não fosse quase.
Quem que disse isso?
Me segura que eu vou dar um troço.
Quem que disse isso?
Fodeu, fodeu
Qui tá qui taqui?
Quê que ce disse?
Qui tá qui taqui?
Quê que ce disse?
Qui tá qui taqui?
Eu não tô entendendo.
Qui tá qui taqui?
O que está escrito aqui?
Qui tá qui taqui?
O que está escrito aqui?
Qui tá qui taqui?
O que está escrito aqui?
Qui tá qui taqui?
Fodeu, fodeu.
Todo mundo mora mal,
todo mundo mora mal.

       
         
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PÁRA DE RONCAR, FILHA DA PUTA !!!       CD 6
         
Mais uma noite de insônia,
há muito que ele me persegue,
é o ronco do capeta
que acabou de chegar.
Pára de roncar, filha da puta.
Pára de roncar, filha da puta.
De dia é tão bonitinha,
de noite, bicho nojento,
é o ronco do capeta
que acabou de chegar.
Pára de roncar, filha da puta.
Pára de roncar, filha da puta.
Chuta, belisca, grita,
dá um safanão, puxa o cabelo,
é o ronco do capeta
que acabou de chegar.
Pára de roncar, filha da puta.
Pára de roncar, filha da puta.
Eu vou cortar a tua garganta,
das profundezas do inferno
é o ronco do capeta
que acabou de chegar.
Pára de roncar, filha da puta.
Pára de roncar, filha da puta.
Mais uma noite de insônia,
há muito que ele me persegue,
é o ronco do capeta
que acabou de chegar.
Pára de roncar, filha da puta.
Pára de roncar, filha da puta.

       
         
        Voltar.
         
EU E VOCÊ.       CD 6
         
Quanto glamour, pret-à-porter,
e quando você passa todo mundo se cala
e vai pra cá e vai pra lá as suas melenas.
Eu e você fazendo som,
a gente fica preso num quarteto de cordas,
e é um tom, é um semi-tom, é uma porção colcheias.
Sempre é verão no coração e tudo fica branco, verde, azul, amarelo
e rosa-choque e furta-cor, é tudo pintura.
Eu e você, como é tão bom,
a gente fica juntos como dois enamorados que se comem,
que se cospem, que se beijam no escuro.
Quem somos nós?
Quem somos nós?
Será o amor?
Quem somos nós?
Quem somos nós?
Será que somos o amor?
Será que somos o amor?
Deixa chover, tá tudo bem,
a gente molhadinho fica tão bonitnho,
e caí na poça e molha o corpo, renasce de novo.
Eu e você em Saint-Tropez,
pode ser Veneza, Monte Carlo ou Florença,
Hong Kong, é tudo beleza.
Eu e você entre os leões,
e cada movimento é um perigo profundo,
e a gente vive e a gente canta sem nenhum futuro.
How do you do?
Meu bem querer,
daqui a dois minutos não existe mais nada
e, no entanto, a gente sabe,
é tudo aventura.

       
         
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PÕE A CABEÇA NO CU.       CD 6
         
Põe a cabeça no cu,
põe a cabeça no cu,
se a cabeça entra
o resto entra também.
Põe a cabeça no cu,
põe a cabeça no cu,
o mundo não te interessa,
entra todo dentro dela.
Põe a cabeça no cu,
põe a cabeça no cu,
merda e sangue,
sangue e merda,
o mundo se desintegra.
Põe a cabeça no cu,
põe a cabeça no cu,
mais um pouco,
mais um pouco.
Põe a cabeça no cu,
põe a cabeça no cu.

       
         
        Voltar.
         
EU NÃO TENHO EU.       CD 6
         
A morte é o amor, o amor é a morte,
ninguém é de ninguém e de ninguém é ninguém.
Eu não tenho nada, família nem pátria,
eu não tenho eu.
eu não tenho eu.
Por isso eu vivo livre,
ando na corda bamba.
Eu grito pro vento:
eu não tenho eu,
eu não tenho eu.
Daí porque eu não tenho problema,
se chove eu me escondo,
se é sol eu me queimo.

       
         
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ME DÁ TUDO QUE TIVERES.       CD 6
         
Me dá juros, me dá terra,
me dá um pico, me dá um trago,
me dá lucro, me dá verba,
me dá saúde, me dá vontade.
Me dá flores, me dá fezes,
me dá um tiro, me dá um teco,
me dá grana, me dá sexo,
me dá tudo que tiveres.
Me dá força, me dá fama,
me dá em cheque, me dá em espécie,
me dá isso, me dá aquilo,
me dá tudo que tiveres,
me dá calor, me dá carinho,
me dá uma casa em Dogville,
de dá um beijo, me dá um abraço,
me dá a boceta, me dá a bundinha.

       
         
        Voltar.
         
TUDO.       CD 6
         
...
       
         
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  SKYLAB V LETRAS

1- Os Ratos
2- Tarado
3- Você Vai Continuar Fazendo Mùsica?
4- Não Sou Ninguém
5- 22x2=43
6- Homem Do Mal
7- Eu Fico Nervoso
8- Legal, Legal
  9- Mastigando Um Chiclete
10- A Natureza
11- Semana Passada
12- Viver Morrendo
13- Aquela Coisa Toda
14- Dinheiro
15- Você É Feia
16- O Coveiro
17- Eu Tô Pensando

FICHA TÉCNICA.

Violão - Alexandre Guichard
Batera - Bruno Coelho
Guitarra – Tiago Amorim
Baixo - Rodrigo Saci
Voz - Rogério Skylab
Autoria das Músicas – Rogério Skylab
Capa - Carlos Mancuso
Foto - Solange Venturi
Gravação-Vânius Marques (Estúdio Cia dos Técnicos) – AGO/2003
Mixagem -Vânius Marques
Masterização – Luis Tornaghi (Estúdio Vison)
Site - www.rogerioskylab.com.br
Email - rogério_skylab@uol.com.br ; skylab@rota66.com.br
Contato p/ show – xxx-21-2295-2218 – falar com Solange

OS RATOS.       CD 5
         
Os ratos estão entrando
Os ratos estão entrando
Os ratos estão entrando
Pelo buraco do cu.

Os ratos no intestino,
Os ratos comendo as tripas,
Os ratos dentro do peito.
Os ratos saem pela boca,
Os ratos se multiplicam,
Os ratos estão por dentro.

Os ratos estão entrando...

Os ratos vêm do esgoto,
Os ratos com as suas garras,
Os ratos dentro da mente.
Os ratos rasgam as pregas,
Os ratos parecem monstros,
Os ratos vão me roendo.

Os ratos estão entrando...

Os ratos tomam meu corpo,
Ratos em quantidade,
Rato, será meu nome?
Os ratos por entre os dedos,
Rato na identidade,
Ratos nos pensamentos.

Os ratos estão entrando,
Os ratos estão entrando,
Os ratos estão entrando
Pelo buraco do cu.

       
         
        Voltar.
         
TARADO .       CD 5
         
O grito não se explica,
O grito aconteceu,
O grito é o explícito,
Grita quem se fodeu.
O grito é coletivo,
O grito não tem fim,
O grito é solitário,
O grito diz assim:
TARADO !!!!

O grito é o interdito,
O grito de Artaud,
O grito da Poesia,
Grito aonde estou.
O grito é sempre o mesmo,
Gritam para mim,
Gritam quando eu passo,
Gritam sempre assim:
TARADO !!!

O grito do planeta,
O grito do Brasil,
Grita o parido,
Grita quem pariu.
Grito todo dia,
Eu grito porque é bom,
Grita todo mundo,
Eu grito porque sou
TARADO !!!

Se gritar pudesse,
Eu gritaria sim,
O grito deste século
É um grito assim.
Grito sem sentido,
Grito sem saber,
Gritam todos juntos,
Eu grito pra você:
TARADO !!!


       
         
        Voltar.
         
VOCÊ VAI CONTINUAR FAZENDO MÚSICA ? .       CD 5
         
Um agiota espera na porta da tua casa.
Você vai continuar fazendo música?
Todas as gravadoras estão de portas fechadas.
Você vai continuar fazendo música?
Até os alternativos debandam pro outro lado.
Você vai continuar fazendo música?
A esperança não existe, a esperança é o caralho.
Você vai continuar fazendo música?
Nunca ganhou dinheiro, muito pelo contrário.
Você vai continuar fazendo música?
O teu futuro é negro, disso eu tenho a certeza.
E você vai continuar fazendo música?
Tenta uma outra coisa, um curso de informática.
Você vai continuar fazendo música?
Velhos e criancinhas, todos te acham maluco.
A tua vida se afunda, por isso é que eu te pergunto:
Você vai continuar fazendo música?

       
         
        Voltar.
         
NÂO SOU NINGUÈM .       CD 5
         
Quando eu chega da escola,
Deito no sofá.
Eu ligo a TV.
Pra quê?
Pra ver o Chaves.

Depois entro no banheiro,
Banho de chuveiro.

Tá na hora de jantar,
Eu não tenho fome,
Mas a minha mãe reclama:
Come!!!!!
Não como.

Quando eu deito na cama,
Fico a pensar,
Eu vou explodir uma bomba,
Mas pego no sono.

Gosto de ficar chapado,
São tantos mistérios,
Fico tirando meleca,
Pensando nela.

Quando eu olho nos teu olhos,
Quero te dizer,
Tu me olhas nos meus olhos
E diz:
Quero foder !!!

Gosto de matar gatinhos
Com corda de nylon,
Aperto devagarzinho,
Não paro.

Vou caindo em queda livre,
Tô a mais de cem,
Na vertigem do abismo,
Não sou ninguém.

       
         
        Voltar.
         
22X2=43 .       CD 5
         
22x2=43
43:6=91
91x3=82
82:6=91
22981, 33522, 86910, 66805,
73901, 22503, 86920, 22826.
22x3=42
42:3=91
91x3=86
86:3=42
22902, 83521, 56903, 81502,
23901, 77777, 22500, 26826.
22x3=41
41:3=52
52x3=91
91:3=46
23503, 83921, 73202, 56500,
26902, 83802, 47500, 27000, 22002.
22x3=86
86:3=41
41x2=92
92:3=41

       
         
        Voltar.
         
HOMEM DO MAL .       CD 5
         
Homem,
Homem, homem,
Homem,
Homem, homem,

Homem do Mal.

       
         
        Voltar.
         
EU FICO NERVOSO.       CD 5
         
Um rato, um rato,
Rápido, rápido,
Um rapto, um rapto,
Rápido, rápido,
Um rato, um rato,
Rápido, rápido,
Um rapto, um rapto.

Eu fico nervoso.

Afio, afio,
Um fio, um fio,
Enfio, enfio,
Um fio, um fio.
Afio, afio,
Um fio, um fio,
Enfio, enfio.

Eu fico nervoso.

Eu risco, eu risco,
Um risco, um risco,
Arrisco, arrisco,
Um risco, um risco.
Eu risco, eu risco,
Um risco, um risco,
Arrisco, arrisco.

Eu fico nervoso.

Falo, falo,
Falho, falho,
Um falo, um falo,
Falho, falho.
Falo, falo,
Falho, falho,
um falo, um falo.

Eu fico nervoso.

Louca, louca,
Louca, louca,
Louca, louca,
Louca, louca.
Calor, calor,
Calor, calor,
Calor, calor,

Eu fico nervoso.

       
         
        Voltar.
         
LEGAL, LEGAL.       CD 5
         
Legal, legal, eu vivo além do bem e do mal,
Legal, legal, eu vivo, eu vivo no meio do caos,
Legal, legal, visto de perto ninguém é normal,
Legal, legal, hoje tem soul, amanhä tem house,
Legal, legal, antes do reguea havia o ska,
Legal, legal, eu quase sempre penso em me matar,
Legal, legal, eu gosto muito de ler haikai,
Legal, legal, claro que eu nunca vou ser um pop-star,
Legal, legal, Paulo Leminski, onde é que tu estás?

       
         
        Voltar.
         
A NATUREZA .       CD 5
         
Um buraco no dente, a vida,
O estômago ronca de fome,
O beijo de uma banguela,
A natureza te chama.

O barraco levado com a chuva,
O bicha, o louca, o santo,
A alegria é a prova dos 9,
A natureza te chama.

O perfume das flôres, o sol,
A praia de Itapoã,
Eu acho que vou ter um câncer na próstata,
A natureza te chama.

O rock, o funk, o samba,
Tudo no meio do caos,
O acaso e o lance de dados,
A natureza te chama.

Manera, Fru-Fru, manera,
Tudo tá tão déjà-vu,
Vontade de dar um tiro nos córneos,
A natureza te chama.


A cabeça crivada de bala,
A flor que brota no mangue,
O negócio é o seguinte, meu chapa:
A natureza te chama.

       
         
        Voltar.
         
SEMANA PASSADA .       CD 5
         
Semana passada, esquartejei meu pai,
Botei sua cabeça na sala de jantar,
Amigos me perguntam: por que você fez isso?
Eu digo que sou frio, muito estranho e insensível.

Depois peguei aquela que um dia me pariu,
Ela gritou “meu filho”, eu respondi “mamãe”.
Que século vazio, ciência é coisa vã,
O certo é o que eu te digo:
Eu estuprei minha mãe.

Depois fui ao cinema, não tinha o que fazer.
Tô vendo tudo turvo, rodando como quê.
Um edifício pula, agora o chão se afunda,
Eu tô ficando louco, sem destino e macambúzio.

       
         
        Voltar.
         
VIVER MORRENDO .       CD 5
         
Pensar correndo,
Roubar sorrindo,
Trepar falando,
Viver morrendo.

Ler fumando,
Cagar mijando,
Televisão,
Tirando meleca.
       
         
        Voltar.
         
AQUELA COISA TODA .       CD 5
         
A coisa vem chegando, a coisa vem chegando,
Aquela coisa toda, aquela coisa toda,
A coisa vai crescendo, a coisa vai crescendo,
Aquela coisa toda, aquela coisa toda.

Falo o que eu não tô pensando,
Penso o que eu não tô falando,
Falo o que eu não tô pensando,
Penso o que eu não tô falando.

Aquela coisa toda.

       
         
        Voltar.
         
DINHEIRO.       CD 5
         
Sem você, eu não sou ninguém.
Para mim você é um Deus.
Mais te tenho, mais quero ter.
No amor é o que mais se vê.
O seu nome eu vou dizer:
Dinheiro, dinheiro.
No amor é o que mais se vê,
Dinheiro, dinheiro.

       
         
        Voltar.
         
VOCÊ É FEIA .       CD 5
         
Você é feia,
É feia pra caralho.
É pobre,
Mora na rua,
É perigosa,
É feia pra caralho.
É perigosa,
É paranóica,
Porra-louca,
É feia pra caralho.

Quer um conselho?
Entra no banheiro,
Fecha bem a porta,
Tampa o basculante,
E liga o gás.

É feia pra caralho.

Está com aids,
É paranóica,
Porra-louca,
É feia pra caralho.

       
         
        Voltar.
         
O COVEIRO.       CD 5
         
O coveiro que trabalha
Na minha cidade natal,
Um dia vai me enterrar.
Assim como já enterrou
Minha mãe, meu pai, meu avô,
Nenhuma falta me faz.

O coveiro, por favor,
Diz como se faz
Uma cova ideal.
Que eu também quero enterrar
O que ficou para traz
E depois dizer “nunca mais”.

       
         
        Voltar.
         
EU TÔ PENSANDO.       CD 5
         
Eu tô pensando...        
         
        Voltar.
         
  SKYLAB IV LETRAS

1- IML
2- Arrebentados
3- O meu pau fica duro
4- Puta
5- Música para paralítico
6- Samba (Eu quero saber quem matou)
7- Parafuso na cabeça
8- Bunda suja
9- Um carro hermeticamente fechado
10- Ninguém
11- Lava as mãos
12- Mictório
13- Eu esporro
14- Desarmônica
15- Por dentro, Por fora

FICHA TÉCNICA.

Guitarra: Thiago Amorim
Violão: Alexandre Guichard
Baixo:Rodrigo Saci
Bateria: Bruno Vieira
Gravado em janeiro/2003 no estúdio Rock House
Mixado no estúdio Manhattan
Masterizado no estúdio Vison por Luís Tornaghi
Todas as músicas são de autoria de Rogerio Skylab
Foto: Solange Venturi
Capa e Arte gráfica: Luisa Bousada.

IML.       CD 4
         
Abri a geladeira do IML.
Cadáver gelado, cadáver é assim.
De boca entreaberta, cadáver sem rim.
Cadáver com bala, com cheiro ruim.
Cadáver de fato, cadáver sem fim.

Abri a geladeira do IML.
Cadáver do morro, cadáver eu vi.
Cadáver sem terra, cadáver barão.
Cadáver polícia, cadáver ladrão.
Cadáver turista, cadáver sertão.

Abri a geladeira do IML.
Cadáver com bunda, com HIV.
Cadáver cantando, cadáver é assim.
Cadáver no sangue, cadáver feliz.
Cadáver que anda, que olha e que vê.
Cadáver agora, cadáver aqui.

       
         
        Voltar.
         
ARREBENTADOS .       CD 4
         
Eu urinei na tua boca,
Evacuei na tua cara,
Chicoteei a tua bunda,
Te algemei na minha cama.
Te chamei de filho-da-puta,
Você falou: muito obrigado.
Te encestei uma porrada
Que te deixou fora de esquadro.

Depois, eu te pedi a mesma coisa,
Você não se fez de rogado
E deu um chute no meu saco
Aí então caí, caí de quatro no meu quarto,
Fiquei no chão estatelado,
Nós somos dois arrebentados.

Sim, fomos pra rua de mãos dados,
Os transeuntes se chocavam,
O nosso amor é uma navalha.
Tem mais, não suportamos informática,
Nós tamos sempre na larica,
Nosso futuro ninguém sabe.

       
         
        Voltar.
         
O MEU PAU FICA DURO .       CD 4
         
Doutor, me explica: por que é que às vezes
Quando eu fico parado, sem fazer nada,
O meu pau fica duro?
Não é bexiga cheia,
Não é mulher pelada,
É assim de repente, o meu pau fica duro.

O meu pau fica duro, o meu pau fica duro...

Não deixa não, o samba morrer,
O samba chegou, o samba é você.
Não deixa não, o samba morrer,
O samba chegou, o samba é você.

O meu pau fica duro, o meu pau fica duro...

       
         
        Voltar.
         
PUTA.       CD 4
         
Você vai ao samba.
Uma cabrocha: só no sapatinho.
Gostosa!!!!!
No final das contas vocês vão pro Motel.
Transam a noite inteirinha.
Trinta dias depois, ela volta grávida
E quer ter o filho.
Conclusão: você pagar pensão pro resto da sua vida.
Ela te ama?
Não!!!!!
O quê que ela é então?
Puta, é puta!!!!!

Mas você insiste,
Não entrega os pontos
Vai ao Shopping, quer comprar uma calça Lee.
Uma vendedora vem ao seu encontro
E te trata pelo nome, como se vocês fossem íntimos.
Gostosa!!!!
E sensual, provocante...
Você não enxerga mais nada.
Compra calça, cueca, meia, sapato.
Conclusão: ela é uma vendedora?
Não!!!!!!
O quê que ela é então?
Puta, é puta!!!!!

Cidade do Rio de Janeiro,
Zona sul, garota de Ipanema.
Você quer morar lá.
Tem money? Não.
Então, não pode não.
Conclusão: essa cidade te ama?
Não!!!!!!
O quê que ela é então?
Puta, é puta!!!!!

“Calma, quê isso?
Você tá tão revoltado”, disse a psicanalista diante do meu delírio.
É que todas as coisas que eu via – criança, fábrica, escola... –
Todas elas pareciam putas.
Trinta minutos depois, eu paguei a consulta
E voltei sozinho pra casa.
Com aquela sensação:
Puta, é puta!!!!!!!!!

       
         
        Voltar.
         
MÚSICA PARA PARALÍTICO .       CD 4
         

Música para paralítico,
Música para paralítico.
Pra quem tomou um tombo, um tiro,
Porrada na cabeça.

Eu não quero flor, ô ô.
Eu não quero sol, ô ô.
Eu não quero ouvir, não quero falar,
Não quero entender, não quero explicar.
Eu não quero ver, ô ô
Eu não quero ver, ô ô
Cadeira de rodas rodando,
Cadeira de rodas rodando,
Cadeira de rodas rodando
Na boquinha da garrafa.

       
         
        Voltar.
         
SAMBA (EU QUERO SABER QUEM MATOU).       CD 4
         
Eu quero saber quem matou Tom Zé,
Eu quero saber quem Walter Franco,
Eu quero saber quem matou Jorge Mautner,
Eu quero saber quem matou Jards Macalé,
Eu quero saber quem matou Arnaldo Antunes,
Eu quero saber quem matou Lobão,
Eu quero saber quem matou Itamar Assunção,
Eu quero saber quem matou Chacal,
Eu quero saber quem matou Fausto Fawcett,
Eu quero saber quem matou Arrigo Barnabé.
Eu quero saber quem matou,
Quem matou? quem matou? quem matou?
       
         
        Voltar.
         
PARAFUSO NA CABEÇA.       CD 4
         
Põe um aparelho no seu dente,
Coloca a argola na orelha,
Depois põe esse piercing na tua língua,
Injeta silicone no teu peito,
Faz uma porção de tatuagem,
Encosta na tua pele ferro quente,
Imprime no teu corpo uma palavra,
E põe um parafuso na cabeça.
Faz uma trepanação no cérebro,
Puxa, corta, rasga e aperta.
O teu sexo, o teu sexo.
Faz um pieling, põe um marca-passo,
Se mutila todo e fica vesgo,
Introduz um córneo na tua testa
E põe um parafuso na cabeça.

Põe um parafuso na cabeça, põe um parafuso na cabeça....

       
         
        Voltar.
         
BUNDA SUJA.       CD 4
         
Eu tava andando no meio da rua,
Quando comecei a sentir os efeitos gasosos
De uma empada estragada.
Saí em disparada pela rua
E entrei no primeiro botequim.
Mal tive tempo de arriar as calças
E descarreguei.
Depois fiquei olhando os desenhos na parede:
Um piru, uma bunda, uma porção de telefones
E descobri uma verdade simples, absoluta, inelutável:
NÃO TINHA PAPEL HIGIÊNICO.
Seu Joaquim!!!!! Papel higiênico!!!!!!
Seu Joaquim!!!!! Guardanapo!!!!!!
Então o jeito foi levantar as calças
E sair pela rua com aquela coisa pastosa por entre as pernas.
E deu até vontade de cantar, e deu até vontade de cantar, e deu até vontade de cantar:
Eu olho pro céu, eu olho pro sol,
Eu olho as estrelas, eu olho pra lua,
Olho o universo, a via láctea,
Eu olho pra mim no meio da rua:
Ô, ô, ô, BUNDA SUJA, BUNDA SUJA,
Ô, ô, ô, BUNDA SUJA, BUNDA SUJA.
       
         
        Voltar.
         
UM CARRO HERMETICAMENTE FECHADO.       CD 4
         
Um carro hermeticamente fechado.
De dentro, a gente não enxerga nada
Correndo, estamos de olhos vendados
Em grande velocidade.

É assim o meu baião
E não tem mais nada não.

       
         
        Voltar.
         
NINGUÉM .       CD 4
         
Olhem
Olhem como
Olhem como se
Olhem como se eu
Olhem como se eu não
Olhem como se eu não fosse
Olhem como se eu não fosse ninguém
Olhem como se eu não fosse ninguém senão
Olhem como se eu não fosse ninguém senão um, apenas um

Ninguém, ninguém, ninguém...

       
         
        Voltar.
         
LAVA AS MÃOS .       CD 4
         

Primeiro questão: quando você mija,
Você lava as mãos
Antes ou depois?
Antes e depois?
Ou nem antes, nem depois?

E quando você evacua.
Você lava as mãos
Antes ou depois?
Antes e depois?
Ou nem antes, nem depois?

E quando você bate uma punheta.
Você lava as mãos
Antes ou depois?
Antes e depois?
Ou nem antes, nem depois?

E quando você introduz o dedo.
Você lava as mãos
Antes ou depois?
Antes e depois?
Ou nem antes, nem depois?

E quando você aperta o gatilho.
Você lava as mãos
Antes ou depois?
Antes e depois?
Ou nem antes, nem depois?

E quando você mata a sua mãe.
Você lava as mãos
Antes ou depois?
Antes e depois?
Ou nem antes, nem depois?

E quando você estupra sua filha.
Você lava as mãos
Antes ou depois?
Antes e depois?
Ou nem antes, nem depois?

       
         
        Voltar.
         
MICTÓRIO .       CD 4
         

Levei uma porrada no mictório,
caí em cima da merda, bebi uréia,
corri pro lavatório: não tinha água.
Olhei pelo espelho: que sacanagem!!!!

Saí pela avenida desatinado,
Chamaram até polícia, fui autoado,
Fui preso numa cela, de madrugada
Vieram dois crioulos e me curraram.

Mas na manhã seguinte,
Que maravilha!!!!
Me deram armistício,
Tive alforria,
Saí pela avenida desembestado,
Veio uma viatura e nova porrada.

Pus sangue pela boca, pelos ouvidos,
Caí em estado-de-coma, hemorragia,
E até os transeuntes que ali passavam,
Sentiam um arrepio e viravam a cara.

O sangue foi correndo pela cidade,
Desembocou na praça, encheu as casas,
Correu no meio fio, pela calçada
E desaguou no meio de um mar de náufragos.

O mundo estava em crise,
Como é que eu posso?!
Fizeram alquimia com a hemoglobina,
O monstro foi nascendo em laboratório
E de repente o sangue virou petróleo.
Primeiro foram os presos da Ilha Grande,
Depois os brasileiros de oitenta anos,
Chegou a vez dos índios, dos traficantes,
E por fim foram os mendigos e os delirantes.

Fizeram um monumento em minha homenagem,
Tirei fotografia, ganhei aplausos.
Falei com o presidente
Da rede Globo
E fui condecorado com o prêmio Nobel.

Levei uma porrada no mictório,
Caí em cima da merda, bebi uréia,
Corri pro lavatório: não tinha água.
Olhei pelo espelho: QUE SACANAGEM!!!!!!

       
         
        Voltar.
         
EU ESPORRO .       CD 4
         

Eu esporro, você cospe,
Eu esporro, você engole.

O que é meu, o que é seu,
Defecar, contrair.
Duvidar, refletir,
Mastigar, deglutir.

Eu esporro, você cospe,
Eu esporro, você engole.

Todo céu, todo mar,
As estrelas, o luar.
Respirar, insistir,
Copular, conseguir.

Eu esporro, você cospe,
Eu esporro, você engole.

Contorcer, urinar,
Derreter, transpirar.
Surpreender, delirar,
Exprimir, espirrar.

Eu esporro, você cospe,
Eu esporro, você engole.

Ingerir, injetar,
Escrever, latejar,
Imprimir, prescrutar,
Espremer, estuprar.

Eu esporro, você cospe,
Eu esporro, você engole...

       
         
        Voltar.
         
DESARMÔNICA .       CD 4
         

Vou pra rua distrair,
Quando chego lá em casa,
Vejo a minha mulher morta
Currada, currada.

Tô no século XXI,
Explodi minha cabeça
E hoje eu vivo só de restos
Do samba, do samba.

Atravesso a Mem de Sá,
Quando chega na Tijuca,
Volto para a Cinelândia,
Estácio, Catete.

Eu queria te dizer,
Quando chego no espelho,
Vejo apenas uma sombra
Estranha, estranha

Gosto muito de comprar,
Eu vou ao supermercado,
Tenho uma porção de tique
Nervoso, nervoso.

Vejo a lua sobre o céu,
Eu vou pisando destroços,
Tamos no terceiro mundo
Do samba, do samba.

Quero muito te dizer
Mas esqueço totalmente,
Ligo a tv e durmo
Capado, capado,

       
         
        Voltar.
         
POR DENTRO, POR FORA .       CD 4
         

Por dentro, por fora,
Por dentro, por fora,
Você não entende
Tô sempre por fora.
Pra eu estar por dentro,
Eu estou por fora,
Pra eu estar por dentro,
Eu estou por fora,
Você não entende essa minha lógica,
Eu estou por dentro
Porque estou por fora.

       
         
        Voltar.
         
  SKYLAB III LETRAS

1- Segunda-feira
2- Acorda Siva Maria
3- Lágrimas de Sangue
4- Inferno
5- Blues do pára-choque
6- Dólar
7- Cocô
8- Esqueletos
9- Cântico dos cânticos
10- É tudo falso
11- Tiger

FICHA TÉCNICA.

Da música 1 à 10:

Guitarra: Toni Boca
Baixo: Wlad
Bateria: Sérgio Nacife
Violão: Alexandre Guichard
Voz: Rogério Skylab

Música 11:

Guitarra: Alexandre BG
Baixo: Leonel Vilar
Bateria: Marcelo Paz
Voz: Rogério Skylab

Gravado Em Junho/2001,
Estúdio Drs Mixado
No Estúdio Manhattan, Por Duda Suliano
Masterizado Por Luís Tornaghi (Estúdio Vison)
Todas as músicas são
de Autoria de Rogerio Skylab
Foto: Solange Venturi
Capa e Arte Gráfica: Luisa Bousada

SEGUNDA-FEIRA.       CD 3
         

Segunda-feira, o sol brilhava,
As crianças na praça,
Mamães, mamãe,
Eu estava no ônibus, 433, 433, 433

Segunda-feira, eu estava cansado,
Não suporto trabalho,
Que fazer? Que fazer?
Sou de pouca conversa,
O meu negócio é foder,
O meu negócio é foder,
O meu negócio é foder.

Segunda-feira, hoje tem sacanagem,
Rock and roll e porrada,
Meu amor, meu amor,
Nunca tenho dinheiro,
Eu tô sentindo um fedor,
Eu tô sentindo um fedor,
Eu tô sentindo um fedor.

Segunda-feira, é uma noite de estrelas,
O pai-de-santo interveio:
Engano seu, engano seu,
É a cabeça dos presos
E eu me esporro de medo,
E eu me esporro de medo,
E eu me esporro de medo.

Segunda-feira, encontrei uma caveira,
Faz um mês que eu não durmo,
Que horror, que horror,
Acendi uma vela
E escarrei nos meus versos,
E escarrei nos meus versos,
E escarrei nos meus versos.

Segunda-feira, somos filhos da merda,
Qualquer dia eu me estrepo,
Tu vai ver, tu vai ver,
Essa noite não escapa,
Vou aparecer na TV,
Vou aparecer na TV,
Vou aparecer na TV.

Segunda-feira, formicida com gelo,
Dei um tiro no espelho,
Meu amor, meu amor,
Que saudade que eu tenho,
Stockhausen e Artaud.
Stockhausen e Artaud,
Stockhausen e Artaud.

Segunda-feira, Sputinik no peito,
Sou maluco e new-wave,
Flutuar, flutuar,
Rimo tédio com Teknus,
Vontade de cagar,
Vontade de cagar,
Vontade de cagar.

       
         
        Voltar.
         
ACORDA SIVA MARIA.       CD 3
         

Acorda Siva Maria,
Ô Siva Maria,
Acorda Siva Maria,
Ô  Siva Maria,
São 7 horas Siva Maria

MENTIRA!!!!!!!

       
         
        Voltar.
         
INFERNO.       CD 3
         

Há 10 anos atrás, eu fui a um jogo de futebol no Maracanã.
Saindo do estádio, havia uma briga entre torcedores.
Um sujeito puxou uma arma e deu dois tiros.
Uma das balas veio atingir em cheio minha cabeça.
Fui levado às pressas para o Hospital,
Mas já cheguei sem vida.

Voltei!!! Voltei!!!
Não como Hamlet, clamando por justiça.
Não como campanha publicitária.
Voltei com imagem, simulacro.
Não tenho sangue, nem osso.
Disfarço no meio tanta gente.
Falsifiquei a identidade.
Entrei num banco.
Virei cantor.
Me chamo ROGERIO SKYLAB.
É tudo falso, é tudo falso.
Vocês nem desconfiam:
EU SOU UM CADÁVER
EU SOU UM CADÁVER
EU SOU UM CADÁVER

Não tem dia, não tem sol,
Não tem noite, não tem som,
Não tem sorte, não tem lei,
Não tem nada, não tem ninguém.

Não tem guerra, não tem paz,
Não tem norte, não tem sul,
Não tem sombra, não tem luz,
Não tem Buda, não tem Exu.

é o inferno, é o inferno, é o inferno, é o inferno

Não tem fezes, não tem flor,
Não tem negro, não tem blues,
Não tem carro, não tem metrô,
Não tem gosto, não tem fedor.

Não tem tripa, não tem pus,
Não tem câncer, não tem dor,
Não tem english, não tem tupi,
Não tem sangue, MTV.

é o inferno, é o inferno, é o inferno, é o inferno

       
         
        Voltar.
         
LÁGRIMAS DE SANGUE       CD 3
         

Irremediavelmente, fora do Mercado,
Não vamos tocamos em rádio, no cinema ou na TV.
Ficaremos lado a lado, somos duas gêmeas almas,
Sem futuro e sem passado,
meu amor, meu bem querer.

O sol da melancolia
Vai nos iluminar.
Teus olhos são duas hemorróidas
A escorrer, a escorrer...

Irremediavelmente, dentro da cidade,
Somos nerds, somos hackers,
Somos um bando de Ets.
Viraremos internautas, outros mundos, outros mares,
Eu te conheci num chat,
Meu amor, meu bem querer.

O sol da melancolia
Vai nos iluminar,
Teu olhos são duas hemorróidas
A escorrer, a escorrer

Lágrimas de sangue, lágrimas de sangue...

       
         
        Voltar.
         
BLUES DO PÀRA-CHOQUE       CD 3
         

Entrei num pára-choque
E fui pro beleléu.
Te vi num plenilúnio
No morro do Boréu.
Eu não sei o quê que eu tenho,
Eu perdi a mediatriz,
Têm vezes que estou triste,
Outras vezes tão feliz.

Te vi num astrolábio
Seu brilho de ouropel.
Eu sou o seu bodog,
Lambi até seus pés.
Eu te fiz o impossível,
Eu te li o Shakespeare.
Nem assim você me quis,
Nem assim você me quis.

Tomei uma overdose,
Eu vou até o fim.
Te dei um gramophone,
Escuta os meus ardis.
Eu fiz halterofilismo,
Karatê com Bruce Lee,
Mas você nem tava aí,
Mas você nem tava aí.

Eu tento e não consigo,
Não sei o que há em mim,
Sou feio mas nem tanto,
Meu gosto é seduzir.
Eu te dei até loguinho
Dentro do meu Zepelim,
Nem assim você me viu,
Nem assim você me viu.

       
         
        Voltar.
         
DOLAR       CD 3
         

Você que me ama,
Te peço, me conta,
Qual a palavra que mais te arrepia?
Ela me fala
Baixinho no ouvido
Com a volúpia de gata no cio:

Dólar, dólar...

Tu és o maior
De todos os deuses,
Tudo que move
E tudo que é.
Doce bandeira
No firmamento,
Meu pouso,
Meu norte,
Meu primeiro rap.

Dólar, dólar...

As águas do rio
Murmuram seu nome,
Estrelas no céu:
Outdor insano.
Até o bem-te-vi
Tem outro idioma.
É a natureza
Verdinha que canta.

Dólar, dólar...

Por trás da menina
Que vem e que passa
Num doce balanço
A caminho do mar.
Por trás do artista,
De toda poesia,
Existe um valor
Que é preciso afirmar:

Dólar, dólar...

Você que me olha
Meio enviesado,
Não se avexe
Nesse momento.
Todas as notas
Que eu tiro agora
Vem lá do fundo
Do seu pensamento.

Dólar, dólar...

Você que me ama,
Te peço, me conta,
Qual a palavra
Que mais te arrepia?
Ela me fala baixinho nouvido
Com a volúpia da gata no cio:

Dólar, dólar...

       
         
        Voltar.
         
COCO.       CD 3
         

- Como foi que você pegou herpes?
-Ah! Foi com a minha primeira  namorada.
Não sei, eu beijava ela, sentia uma coisa esquisita na boca dela.
-Você fica com raiva por causa disso?
-Ah! a gente fica, né? De vez em quando nasce uma ferida horrível na boca da gente?
-Quais são os seus planos para o futuro?
-Ah! do futuro só Deus sabe.
-Paga um boquete?
-Eu, hein? Quê isso!!
-Rapidinho.
- Não posso. Tenho que dormir, amanhã acordo cedo.
-Você trabalha aonde, porra!!!
-Sou produtor cultural.
-Produtor cultural? Não fode
-Mas aqui mesmo?
- Não fode.
- Só se for ali, atrás da igreja.
- Não fode.
- Bota fogo e depois foge, é?
-Não fode.
-Não fode é o caralho!!!!

Uá, Uá, Uá, Uá, Uá, Uá
Você me faz sorrir, me faz delirar
Uá...
Se eu pudesse, te daria o céu e o mar.
Com você, eu como até seu cocô.

       
         
        Voltar.
         
ESQUELETOS.       CD 3
         

Os esqueletos estão chegando, tudo osso...

Etiópia, Blangladesh,
Lá na Índia, no nordeste

Os esqueletos têm os olhos fundos,
Os esqueletos não têm sucesso,
Os esqueletos fazem plágio,
Os esqueletos não são modernos.
Os esqueletos continuam,
Os esqueletos são cabeludos,
Os esqueletos não têm bunda,
Os esqueletos, os esqueletos.

       
         
        Voltar.
         
CANTICO DOS CANTICOS.       CD 3
         

Sim, eu canto porque é noite,
E noite que não tem fim,
Escuta essa canção.

E ô, E ô,
O cântico dos cânticos,
E ô, E ô,
O cântico dos cânticos.

Sim, em Bagdá um cego,
Turbante na cabeça,
Me leu o alcorão.

E ô, E ô...

Sim, quando eu te conheci,
Senti que eu já te conhecia,
Estranha sensação.

E ô, E ô...

Sim, na hora que o sol nasce,
O tom vermelho ouro,
A terra em combustão.

E ô, E ô...

Sim, num mar azul turquesa,
Despontam icebergs,
Parecem assombração.

E ô, E ô...

Sim, o manto, que te cobre,
Tem dobras e mais dobras
Como um caramanchão.

E ô, E ô...

Sim, eu canto porque é noite
E noite que não tem fim,
Escuta essa canção.

E ô, E ô...

       
         
        Voltar.
         
É TUDO FALSO.       CD 3
         
(fragmentos das músicas anteriores)        
         
        Voltar.
         
TIGER.       CD 3
         
"Walking we go watch,
water is fire, fuck you.
Brother is dead, night.
Blues and white, tiger."
       
         
        Voltar.
         
  SKYLAB II LETRAS

1- Metrô
2- Jesus
3- Carne Humana
4- Moto-serra
5- Naquela noite
6- Convento das Carmelitas
7- Derrame
8- Urubu
9- Matadouro das Almas
10- Sensações
11- Música Suave
12- Ato Falho
13- Carrocinha de Cachorro Quente
14- Privada Entupida
15- Funérea
16- Cu e Boca
17- Samba
18- Matador de Passarinho

FICHA TÉCNICA.

Voz - Rogério Skylab;
Baixo - Wlad;
Violão - Alexandre Guichard;
Bateria - Marcelo B;
Guitarra - Alexandre BG;
Participação especial, Lois Lancaster (Zumbi do Mato) na música "Samba";
Produzido por - Rogério Skylab;
Arranjo - Rogério Skylab;
Capa - Flávio Lazarino;
Foto - Solange Venturi;
Gravado ao vivo no Hipódromo Up;
Operador Técnico - Bienvenido;
Masterização e Mixagem - Estúdio Manhatte em 2000.

METRÔ.       CD 2
         

ESTAÇÃO CINELÃNDIA.

Eu tinha ido a cidade,
Eu vinha vindo tão bem,
Não tinha crise de asmas,
Os meus negócios iam bem,
Mas de repente, um minuto,
Tudo mudou só eu sei,
Aquela voz sussurrando,
Aquela voz a dizer:

ESTAÇÃO GLÓRIA.

Que voz, que coisa esquisita,
Eu nunca vi coisa igual,
Era uma voz de fantasma,
A voz de um morto no trem,
Eu tinha ido ao trabalho,
Eu vinha vindo tão bem,
E aquela voz sussurrando,
Aquela voz a dizer:

ESTAÇÃO CATETE.

Eu fui perdendo o controle,
Eu tava dentro do trem,
Na minha frente um babaca,
Tu tá me olhando por que ?
Eu vivo sempre sozinho,
Eu vinha vindo tão bem,
E aquela voz sussurrando,
Aquela voz a dizer:

ESTAÇÃO LARGO DO MACHADO.

Tô indo não sei pra onde,
Se eu vim não sei de onde foi,
Eu tô por cima dos trilhos,
Eu nunca sei quem eu sou,
A voz me dá calafrios,
A voz me enche de horror,
E lá vem ela subindo,
Aquela voz, não, não...

ESTAÇÃO FLAMENGO.

Eu olho pela janela,
Eu vejo só escuridão,
Eu tô debaixo da terra,
Será que tudo é ilusão?
Aqui parece o Infermo,
Eu não consigo entender,
Aquela voz sussurrando,
Aquela voz a dizer:

ESTAÇÃO BOTAFOGO.

Os nervos à flor da pele,
Os olhos em combustão,
Os dedos todos tremendo,
O meu coração na mão.
Eu tô chegando no ponto,
O que será que eu vou ver?
E aquela voz sussurrando,
Aquela voz a dizer:

ESTAÇÃO CARDEAL ARCO-VERDE, ESTAÇÃO TERMINAL.

       
         
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JESUS!!!       CD 2
         
Jesus! Eu chupava sua boceta,
Quando vi um ponto branco em sua bunda,
E como vocês sabem, eu sou dermatologista,
O ponto branco se chama vitiligo.

Jesus! Sua pele de ouro marrom,
Vai ficar dentro em breve toda branca.
E como é pobre, não tem dinheiro
Pra pagar o tratamento.

Jesus! Me deixe aproveitar,
Sua pele tem a textura da tigreza,
Mas o ponto branco, sinistro e traiçoeiro,
Vai estendendo sua teia.

Jesus! Eu não posso acreditar,
Sua cara vai ficar branca e preta,
Se hoje sinto gosto, amanhã será nojo,
Me deixe te beijar enquanto é tempo.

       
         
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CARNE HUMANA.       CD 2
         
Tem gente que come office-boy,
Gente que come carne de boi,
Gente que come e acha bom
Urubu, ratos de porão.
Gente que come os restos no chão,
Come os olhos, come com a mão,
Nosso destino é mesmo comer,
Comer é bom, comer faz crescer.

Come banana, come feijão,
Come poesia – dá congestão,
Gente quem come filé mignom,
Mas o que eu gosto, eu gosto é de comer.
Carne humana, iô iô iô
Carne humana,  iô iô iô
       
         
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MOTO-SERRA.       CD 2
         
Tinha 25 anos de amores e sonhos,
Você era pra mim o meu drops de anis, alecrim,
Era meu rabo de saia,
minha doce amada, linda, linda,
era tudo que eu queria, Rosa e jasmim.
Mas o tempo foi passando,
o tempo é louco, o tempo é todo tempo,
o tempo come o tempo, chegamos ao fim.
Te vi nos braços de um outro,
revirei na cama, passei a noite em claro,
mas no fim das contas, eu descobri:
Moto-serra, moto-serra,
Era a peça que faltava
no meu quarto de dormir,
Moto-serra, moto-serra,
Hoje entendo porque tu olhavas
tanto pro jardim.
Fui serrando os seus pezinhos
que eram para mim a coisa mais bonita
que eu nunca esqueci, prossegui.
Serrei suas duas mãos que eram diamantes
E quando rezavam
pareciam conchas de marfim.
Serrei suas duas pernas,
os seus dois bracinhos,
Você ficou sendo a Vênus de Millus do meu jardim.
Te serrei por dentro e fora,
te serrei no meio,
Restou um toquinho que eu serrei também,
Serrei feliz.
Moto-serra, moto-serra,
Os pedaços manchados de sangue
plantei no jardim,
Moto-serra, moto-serra,
Germinaram daqueles pedaços
rosas e jasmins.
       
         
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NAQUELA NOITE.       CD 2
         
Naquela noite cheia d´estrelas,
Ela passava cheia de graça,
A segurei pelos cabelos
E enfiei uma porrada.
Ela gemia, ela chorava
E a lua cheia iluminava.
Depois peguei um caco de vidro
E enterrei no seu umbigo.
Ela urrava, ela gemia,
Um passarinho batia as asas,
Um violino tocava a valsa,
E a lua cheia iluminava.
Com alicate eu retorcia
Os seus mamilos tão delicados.
Ela pedia pra que eu parasse
E eu sentia uma estranha calma.
Os vaga-lumes contracenavam
E a lua cheia iluminava.
E fui puxando fio por fio
Dos seus cabelos castanhos-claros,
Em cada fia que eu arrancava
Era uma lágrima, era outra lágrima,
Os arvoredos com cor de prata,
A lua cheia iluminava.
E com a perícia de um obstetra,
Em meio a um bosque cheio de flores,
Eu extirpei de dentro dela
Um bicho horrível chamado Homem,
Os passarinhos em revoada,
A lua cheia iluminava.
A minha vida é essa estória,
Por mais que` eu pinte, é sempre escura,
Pro que eu pergunto não há resposta,
Mas de repente levei um susto:
Olhei pra dentro da minha alma
E a lua cheia iluminava.
       
         
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NO CONVENTO DAS CARMELITAS.       CD 2
         
No Convento das Carmelitas eu entrei.
Esperei uma freira passar, esperei, esperei.
A primeira freira que passou, estrangulei.
Eu não gosto de freira, eu não gosto de frei.

No Convento das Carmelitas eu entrei.
Esperei outra freira passar, esperei, esperei.
A segunda freira que passou, estrangulei.
Eu não gosto de freira, eu não gosto de frei.

No Convento das Carmelitas eu entrei.
Esperei outra freira passar, esperei, esperei.
A terceira freira que passou, estrangulei.
Eu não gosto de freira, eu não gosto de frei.

No Convento das Carmelitas eu entrei.
Esperei outra freira passar, esperei, esperei.
A quarta freira que passou, estrangulei.
Eu não gosto de freira, eu não gosto de frei.

No Convento das Carmelitas eu entrei.
Esperei outra freira passar, esperei, esperei.
A quinta freira que passou, estrangulei.
Eu não gosto de freira, eu não gosto de frei.

No Convento das Carmelitas eu entrei.
Esperei outra freira passar, esperei, esperei.
A sexta freira que passou, estrangulei.
Os dias e as mortes em série me fazem tão bem.

       
         
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DERRAME.       CD 2
         
A boca era para a direita,
O nariz era para a esquerda,
Um olho era para cima,
Já o outro olho era para baixo,
O que ele teve?
Ele teve derrame,
Ele teve derrame. Não falava direito,
Nem parecia um ser humano,
Dizem que é de outro planeta,
Mas para mim não passa de um homem idôneo
Apenas teve derrame
Ele teve derrame. Tinha 50 anos
Mas quem o visse diria bem menos,
Corria toda semana
Em plena praia de Copacabana,
E no entanto
Ele teve derrame,
Ele teve derrame. Tinha muitos amigos,
Levava até a fama de Dom Juan,
Mas hoje vive esquecido,
Puxa da perna
E não tem um benefício,
Que coisa horrível!
Ele teve derrame,
Ele teve derrame ...
       
         
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URUBU.       CD 2
         
Urubu, meu companheiro,
Te achei numa charneca
Com as asas machucadas, te levei pra minha casa.
Te guardei numa gaiola
Para enfeitar a sala,
Sobre ti a noite é negra, urubu, canta pra gente.

Não inveje os outros cantos,
Outras plumas e outras cores,
Que  de todos és o primeiro,
Urubu tu és tão negro.
Se não há quem te escute,
Eu te escuto e te traduzo,
O teu canto  tem mais vida,
Urubu, canta um pouquinho.

Se eu te dou banana e alpiste,
tu vomitas, endoidece,
mas se for carne estragada,
Bate as asas e agradece.
Quem diz que urubu não canta,
Quem faz pouco do que eu digo,
para quem não crê em nada,
urubu, mais um pouquinho.

Eu vou te deixar agora,
Com meu coração partido,
Voa pelo mundo à fora,
Cumpra teu honroso ofício.
Acharás pelo caminho
Bois, cachorros, criancinhas,
O sertão é aqui, agora,
Urubu, mais um pouquinho.
       
         
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MATADOURO.       CD 2
         
Quanta saudade dos antigos matadouros,
Da vaca prenha abatida sem perdão,
Dos bezerrinhos que gritavam em agonia,
Do sangue quente espalhado pelo chão.
Quanta saudade das mosquinhas varejeiras,
Dos velhos tempos de mulheres e homens sãos,
Dos viadinhos pendurados no curtume,
Do jeito simples de viver uma paixão.
Vem cá, meu bem.
Me dê a mão, vamos sair pra ver o sol.
Aí então, vou te mostrar o amor pungente
Dos animais.
Ah! Ah! Ah!
Quanta saudade dos antigos açougueiros,
Da alegria em cortar, esquartejar,
Da carne seca pelo sol do meio-dia,
Desse sertão que até parece ser tantã.
Quanta saudade do vermelho mais vermelho,
Do cheiro podre de carniça pelo ar,
Do vento forte que abre todas as porteiras,
Da estrebaria, do chiqueiro, dos currais. Vem cá, meu bem.
Me dê a mão, vamos sair pra ver o sol.
Aí então, vou te mostra o amor pungente
Dos animais.
Ah! Ah! Ah!
       
         
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SENSAÇÕES.       CD 2
         

Sensações, Sensações...

Como vai tudo bem?
Eu vou bem, muito bem.
Pára um pouco de ler,
Olha o que você fez.

Tenho um rombo no
Dentro do coração.
Perambulo sem fim
E quase que eu sou ninguém.
Mas agora eu voltei,
Abre os olhos, meu bem.
Vivo fora da grei,
Eu vivo fora da grei.

       
         
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ATO FALHO.       CD 2
         
Todo ato falho é o acaso.
Todo ato falho é o acaso.
A verdade é o fundo da bobagem.
Pra acertar no alvo quanto disparate

Esse é o sorriso do gato de Alice.
E essa é a peruca pop de Andy Warrol.
Quando tu mirastes eu me ria.
Quando tu pensavas eu dizia:

Todo ato falho é o acaso.
Todo ato falho é o acaso.

       
         
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CARROCINHA DE CACHORRO QUENTE.       CD 2
         

Uma carrocinha de cachorro-quente.
Espia só o vendedor: olha prum lado,
olha pro outro, disfarça, não vem ninguém.
Ah lá, ele tá enfiando a mão dentro da calça,
aquela mão que segura o cachorro-quente.
Ah lá, ele tá coçando o cu com a mão.
Moça, ô moça, não compra cachorro-quente não.

Nome: Clarisse
Altura: 1,80m
Esguia, magérrima, olhos de esfinge,
pés pequenininhos,
mas tem uma trolha!!!

O elefante pergunta pra vaquinha:
tomô, no cu?
A colombina pergunta pro pierrôt:
tomô, no cu?
A enfermeira pergunta pro defunto:
tomô, no cu?
E todo mundo começa a perguntar:
tomô, no cu?

Calma, você deve ter tomado alguma coisa.
Relaxa, respira fundo. Isso, agora me fala:
qual o seu nome?
Boceta.
de onde você vem?
Boceta.
o nome da tua mãe?
Boceta.
o quê que você quer?
Boceta.

Desculpa
esse meu jeito
meio desesperado
de dizer as coisas,
mas o problema
é que nesse momento,
nesse exato momento,
um marimbondo
tá dentro da minha calça
e tá picando
a minha bunda !!!

Eu bem que fiz tudo
pra ser o que mamãe queria,
mas o tempo foi passando,
o tempo foi passando,
e tudo foi ficando
meio escalafobético.
Ele era tão quietinho,
um idiota comentou,
e tudo seria patético
se não fosse
PATETA!!!

       
         
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MÚSICA SUAVE.       CD 2
         

Música suave, música tranqüila,
Uma flauta doce, no céu um arco-íris.
De manhã cedinho, ele foi achado
Cheio de formiga e carbonizado.

Música suave, música tranqüila,
Uma flauta doce, no céu um arco íris.
Ela foi currada, enterrada viva,
Da terra brotavam os seus dez dedinhos.

Essa foi viúva, teve hemorragia,
Enterrou o gargalo, ele não saía.
Aquele foi morto sobre um pau-de-arara,
Minha mãe com câncer, o meu pai com Aids.

Música suave, música tranqüila,
Uma flauta doce, no céu um arco-íris.
Ele foi traído quando não esperava,
A mulher com os dentes lhe arrancou os bagos.

Filha da puta, filha da puta.

Música suave, música tranqüila,
uma flauta doce, no céu um arco-íris.

       
         
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PRIVADA ENTUPIDA.       CD 2
         
Quando você fica apertado
E a privada está toda imunda,
O cocô bate na água
E a água bate na bunda.

Então fico todo injuriado
E escrevo com sangue essas palavras:

PARAÍBA, RETARDADO, Ô VIADO, PUXA A DESCARGA.

Então me levanto aliviado,
sou uma pluma pairando no espaço,
sem memória, sem passado,
sem história, sem saudade.

       
         
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FUNÉREA.       CD 2
         
Minha casa é um cemitério,
O meu pai um morto-vivo,
Minha mãe é uma caveira,
Minha avó
É uma bruxa.
Meu avô é um feiticeiro,
Meu irmão o coisa-feia,
Todo dia eu penso nela,
Ela se chama Funérea.
No Natal meu pai me deu
Um casal de ratazana,
Deu também uma lacraia
Que até hoje me acompanha.
Nenhum desses se compara
Com o meu amor eterno,
Todo dia eu penso nela,
Ela se chama Funérea
Funérea, Funérea...
Funérea, Funérea... Eu converso com as aranhas
Que passeiam pelo teto,
Os morcegos que revoam, voam ...
É assim o pensamento
De quem ama para sempre,
Todo dia  eu penso nela,
Ela se chama Funérea. Funérea, Funérea...
Funérea, Funérea É assim o pensamento
De quem ama para sempre,
Todo dia eu penso nela,
Ela se chama Funérea.
       
         
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CU E BOCA.       CD 2
         

Linda, os cabelos cacheados,
Os seus olhos esmeraldas
E a pele de cetim.
Mas se a beijava,
Vinha um cheiro de esgoto
Que saía do seu estômago
E entrava em meu nariz.

Um dia desses, eu beijava o seu pingelo
Quando assim bem de repente,
Ela peidou.
Daí então, eu pude constatar
Que o cheiro da sua boca
Era igual, era igual.
Depois disso eu concluí,
Depois disso eu concluí,
Depois disso eu concluí,
cu e boca é tudo a mesma coisa.
Linda.

       
         
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SAMBA.       CD 2
         
Vivo em papos de aranha,
Tô aqui a ver navios,
Leio sempre o Catatau,
Acabou o século XX.
Eu pareço com Ulisses,
Atravesso a Rio Branco,
Lá na frente tem uma blitz,
Eles tão me rebocando.
Entro na Leonardo da Vinci,
A gringa não percebe nada,
Eu estou desempregado
E quero mais ficar assim.
Eu não tenho nada a ver
Com a linha evolutiva,
Gosto é de ficar deitado
Com o meu pirú na mão.
Vou comprar uma mutuca
Lá no quinto dos infernos,
Eu não sou nenhum mané,
Rio de Janeiro,
Sou um garoto seqüelado,
Quero ouvir Zumbi do Mato,
Hanny baby é o caralho,
O meu samba é assim.

       
         
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MATADOR DE PASSARINHO.       CD 2
       
Aqui tem João-de-Barro, pintassilgo, pinta-roxo,
Pica-pau e colibri.
Aqui tem canário belga, araponga, açum-preto,
Curió e bem-te-vi.
Aqui tem tanta andorinha, cambaxirra, quero-quero,
Rouxinol e juriti ...
Que servem de tiro ao alvo
para espantar o tédio
e o vazio do existir.

Pá, pá, pá ...

Matador de passarinho,
Matador de passarinho,
Matador de passarinho,
Matador de passarinho ...

Tico-tico quando voas,
Tico-tico tu pareces um teco-teco no ar.
Tico-tico quando cantas
Me lembro da minha infância,
Feriado em Paquetá.
Tico-tico tão arisco, tico-tico tu beliscas
Uns grãozinhos de fubá.
Tico-tico me perdoa mas me vem um vontade,
Não posso me segurar.
Pá, pá, pá

Matador de passarinho,
Matador de passarinho,
Matador de passarinho,
Matador de passarinho ...

Beija-flor de flor em flor
Beija-flor tu és o rei
Beija-flor te quero bem
Beija-flor se tu soubesse
Beija-flor ah! Se eu pudesse
Beijaria a flor também
Beija-flor tu vais levando
Numa nuvem cor de rosa
Grãos de pólen para quem
Beija-flor tu és tão lindo
Mas chegou a tua hora
Não beijarás mais ninguém

Matador de passarinho,
Matador de passarinho,
Matador de passarinho,
Matador de passarinho ...
       
       
        Voltar.
       
  SKYLAB I LETRAS

1- Moto-serra
2- Urubu
3- Matador de Passarinho
4- Matadouro de Almas
5- Derrame
6- No cemitério
7- Funérea
8- Naquela noite
9- Vampiro Mordido
10- Pedigree
11- Carne Humana

FICHA TÉCNICA.

Voz - Rogério Skylab;
Teclado - Luis Antonio;
Guitarra , Arranjo- Robertinho de Recife;
Letras e música - Rogério Skylab;
Produção - Robertinho de Recife;
Produção Executiva - Marcos Petrillo;
Gravado no estúdio Lagoa em 1999.

 

MOTO-SERRA.     CD 1
         
D A/C# Bm7
Tinha 25 anos de amores e sonhos,
Bm/A G7M A7 D B7 A/C# B/D#
Você era pra mim o meu drops de anis, alecrim,
Em Em/Eb
Era meu rabo de saia,
Em/D
minha doce amada, linda, linda,
Em/C# A7/4 A7 D A7 G/B A/C#
era tudo que eu queria, Rosa e jasmim.
D A/C#
Mas o tempo foi passando,
Bm7
o tempo é louco, o tempo é todo tempo,
Bm/A G7M F#m7(b5) B7 A/C# B/D#
o tempo come o tempo, chegamos ao fim.
Em Em/Eb
Te vi nos braços de um outro,
Em/D Em/C#
revirei na cama, passei a noite em claro,
A7/4 A7 D D7
mas no fim das contas, eu descobri:
G A Bm7
Moto-serra, moto-serra,
G A
Era a peça que faltava
D D7
no meu quarto de dormir,
G A Bm7
Moto-serra, moto-serra,
G A7
Hoje entendo porque tu olhavas
D A7 G/B A/C#
tanto pro jardim.
D A/C#
Fui serrando os seus pezinhos
Bm7 Bm/A
que eram para mim a coisa mais bonita
G7M A7 D B7 A/C# B/D#
que eu nunca esqueci, prossegui.
Em Em/Eb Em/D
Serrei suas duas mãos que eram diamantes
Em/C#
E quando rezavam
A7/4 A7 D A7 G/B A/C#
pareciam conchas de marfim.
D A/C#
Serrei suas duas pernas,
Bm7
os seus dois bracinhos,
Bm/A G7M F#m7(b5) B7 A/C# B/D#
Você ficou sendo a Vênus de Millus do meu jardim.
Em Em/Eb.
Te serrei por dentro e fora,
Em/D
te serrei no meio,
Em/C# A7/4 A7
Restou um toquinho que eu serrei também,
D D7
Serrei feliz.
G A Bm7
Moto-serra, moto-serra,
G A
Os pedaços manchados de sangue
D D7
plantei no jardim,
G A Bm7
Moto-serra, moto-serra,
G A7
Germinaram daqueles pedaços
D
rosas e jasmins.
       
         
        Voltar.
         
URUBU.       CD 1
         
C A7 Dm
Urubu, meu companheiro,
G7 C G/B
Te achei numa charneca
Am Am/G D/F#
Com as asas machucadas, te levei pra minha casa.
G7 C G7
Te guardei numa gaiola
C A7/C# Dm
Para enfeitar a sala,
G7 C G/B
Sobre ti a noite é negra, urubu, canta pra gente.

Am Am/G Dm/F
Não inveje os outros cantos,
E7 Am G7
Outras plumas e outras cores,
C/ D/F# / G / F / C G/B / Am / Am/G / D/F# / G / F / C
Que  de todos és o primeiro,
C A7 Dm
Urubu tu és tão negro.
G7 C G/B
Se não há quem te escute,
Am Am/G D/F#
Eu te escuto e te traduzo,
G7 C G7
O teu canto  tem mais vida,
C A7/C# Dm
Urubu, canta um pouquinho.

G7 C G/B
Se eu te dou banana e alpiste,
Am Am/G D/F#
tu vomitas, endoidece,
G7 C G7
mas se for carne estragada,
C A7/C# Dm
Bate as asas e agradece.
G7 C G/B
Quem diz que urubu não canta,
Am Am/G Dm/F
Quem faz pouco do que eu digo,
E7 Am G7
para quem não crê em nada,
C/ D/F# / G / F / C G/B / Am / Am/G / D/F# / G / F / C
urubu, mais um pouquinho.

C A7 Dm
Eu vou te deixar agora,
G7 C G/B
Com meu coração partido,
Am Am/G D/F#
Voa pelo mundo à fora,
G7 C G7
Cumpra teu honroso ofício.
C A7/C# Dm
Acharás pelo caminho
G7 C G/B
Bois, cachorros, criancinhas,
Am Am/G Dm/F
O sertão é aqui, agora,
E7 Am G7
Urubu, mais um pouquinho.
C/ D/F# / G / F / C G/B / Am / Am/G / D/F# / G / F / C

     
         
        Voltar.
         
MATADOR DE PASSARINHO.       CD1
         
B C#m C#m/B F#7 /A#
Aqui tem João-de-Barro, pintassilgo, pinta-roxo,
F#7 B/D# G#7
Pica-pau e colibri.
C#m
Aqui tem canário belga, araponga, açum-preto,
F#7 F#7/E B G#7
Curió e bem-te-vi.
C#m
Aqui tem tanta andorinha, cambaxirra, quero-quero,
C#m/B F#7/A#
Rouxinol e juriti ...
F#7 B
Que servem de tiro ao alvo
G#7 C#m
‘para espantar o tédio
F#7
e o vazio do existir.
B
Pá, pá, pá ...

E F#7
Matador de passarinho,
G#m
Matador de passarinho,
E F#7
Matador de passarinho,
B
Matador de passarinho ...

C#m
Tico-tico quando voas,
C#m/B F#7/A# F#7 B/D# G#7
Tico-tico tu pareces um teco-teco no ar.
C#m
Tico-tico quando cantas
F#7
Me lembro da minha infância,
F#7/E B
Feriado em Paquetá.
C#m
Tico-tico tão arisco, tico-tico tu beliscas
C#m/B F#7/A# F#7 B
Uns grãozinhos de fubá.
C#m
Tico-tico me perdoa mas me vem um vontade,
F#7
Não posso me segurar.
B
Pá, pá, pá

E F#7
Matador de passarinho,
G#m
Matador de passarinho,
E F#7
Matador de passarinho,
B
Matador de passarinho ...

C#m
Beija-flor de flor em flor
C#m/B F#7/A#
Beija-flor tu és o rei
F#7 B/D# G#7
Beija-flor te quero bem
C#m
Beija-flor se tu soubesse
F#7
Beija-flor ah! Se eu pudesse
F#7/E B G#7
Beijaria a flor também
C#m
Beija-flor tu vais levando
C#m/B F#7/A#
Numa nuvem cor de rosa
F#7 B G#7
Grãos de pólen para quem
C#m
Beija-flor tu és tão lindo
F#7
Mas chegou a tua hora
B
Não beijarás mais ninguém E F#7
Matador de passarinho,
G#m
Matador de passarinho,
E F#7
Matador de passarinho,
B
Matador de passarinho ...
       
         
        Voltar.
         
MATADOURO.       CD1
         
Quanta saudade dos antigos matadouros,
Da vaca prenha abatida sem perdão,
Dos bezerrinhos que gritavam em agonia,
Do sangue quente espalhado pelo chão.
Quanta saudade das mosquinhas varejeiras,
Dos velhos tempos de mulheres e homens sãos,
Dos viadinhos pendurados no curtume,
Do jeito simples de viver uma paixão.
Vem cá, meu bem.
Me dê a mão, vamos sair pra ver o sol.
Aí então, vou te mostrar o amor pungente
Dos animais.
Ah! Ah! Ah!
Quanta saudade dos antigos açougueiros,
Da alegria em cortar, esquartejar,
Da carne seca pelo sol do meio-dia,
Desse sertão que até parece ser tantã.
Quanta saudade do vermelho mais vermelho,
Do cheiro podre de carniça pelo ar,
Do vento forte que abre todas as porteiras,
Da estrebaria, do chiqueiro, dos currais. Vem cá, meu bem.
Me dê a mão, vamos sair pra ver o sol.
Aí então, vou te mostra o amor pungente
Dos animais.
Ah! Ah! Ah!
       
         
        Voltar.
         
DERRAME.       CD1
         
A boca era para a direita,
O nariz era para a esquerda,
Um olho era para cima,
Já o outro olho era para baixo,
O que ele teve?
Ele teve derrame,
Ele teve derrame. Não falava direito,
Nem parecia um ser humano,
Dizem que é de outro planeta,
Mas para mim não passa de um homem idôneo
Apenas teve derrame
Ele teve derrame. Tinha 50 anos
Mas quem o visse diria bem menos,
Corria toda semana
Em plena praia de Copacabana,
E no entanto
Ele teve derrame,
Ele teve derrame. Tinha muitos amigos,
Levava até a fama de Dom Juan,
Mas hoje vive esquecido,
Puxa da perna
E não tem um benefício,
Que coisa horrível!
Ele teve derrame,
Ele teve derrame ...
       
         
        Voltar.
         
NO CEMITÉRIO.       CD1
         
Encontrei meu grande amor,
No cemitério.
Te ergui da sepultura,
Eu beijei teu corpo no
Cemitério.
Enquanto que tu vivias,
Não olhavas para mim,
Desprezado e sem amor
passei noites, passei dias
sem carinho a procurar
um consolo pra essa dor.
Mas esse dia então chegou
No cemitério,
Ficas mais bonita assim
Sem brilhante e sem calor
No cemitério.
Me lembro daqueles dias,
tu gostavas de pisar
esse pobre coração.
O meu amor então crescia,
Era um câncer invisível,
Sem poder lhe dar vazão.
E esse dia então chegou
No cemitério,
E era tanta alegria,
Morcegos são passarinhos,
No cemitério,
No cemitério,
No cemitério.
       
         
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FUNÉREA.       CD1
         
Minha casa é um cemitério,
O meu pai um morto-vivo,
Minha mãe é uma caveira,
Minha avó
É uma bruxa.
Meu avô é um feiticeiro,
Meu irmão o coisa-feia,
Todo dia eu penso nela,
Ela se chama Funérea.
No Natal meu pai me deu
Um casal de ratazana,
Deu também uma lacraia
Que até hoje me acompanha.
Nenhum desses se compara
Com o meu amor eterno,
Todo dia eu penso nela,
Ela se chama Funérea
Funérea, Funérea...
Funérea, Funérea... Eu converso com as aranhas
Que passeiam pelo teto,
Os morcegos que revoam, voam ...
É assim o pensamento
De quem ama para sempre,
Todo dia  eu penso nela,
Ela se chama Funérea. Funérea, Funérea...
Funérea, Funérea É assim o pensamento
De quem ama para sempre,
Todo dia eu penso nela,
Ela se chama Funérea.
       
         
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NAQUELA NOITE.     CD1
         
D Em7
Naquela noite cheia d´estrelas,
A7 D
Ela passava cheia de graça,
B7 Em7
A segurei pelos cabelos
A7 D
E enfiei uma porrada.
D7 G7M
Ela gemia, ela chorava
A7 D D7 G7M A7 D
E a lua cheia iluminava.
D Em7
Depois peguei um caco de vidro
A7 D
E enterrei no seu umbigo.
D6/F# Fdim Em7
Ela urrava, ela gemia,
A7 D
Um passarinho batia as asas,
D7 G7M
Um violino tocava a valsa,
A7 D D7 G7M A7 D
E a lua cheia iluminava.
D Em7
Com alicate eu retorcia
A7 D
Os seus mamilos tão delicados.
D#dim Em7
Ela pedia pra que eu parasse
A7 D
E eu sentia uma estranha calma.
D7 G7M
Os vaga-lumes contracenavam
A7 D D7 G7M A7 D
E a lua cheia iluminava.
D Em7
E fui puxando fio por fio
A7 D
Dos seus cabelos castanhos-claros,
B7(b9) Em7
Em cada fia que eu arrancava
A7/4 A7 D
Era uma lágrima, era outra lágrima,
D7 G7M
Os arvoredos com cor de prata,
A7 D D7 G7M A7 D
A lua cheia iluminava.
D Em7
E com a perícia de um obstetra,
A7 D
Em meio a um bosque cheio de flores,
D6/F# Fdim Em7
Eu extirpei de dentro dela
A7 D
Um bicho horrível chamado Homem,
D7 G7M
Os passarinhos em revoada,
A7 D D7 G7M A7 D
A lua cheia iluminava.
D Em7
A minha vida é essa estória,
A7 D
Por mais que` eu pinte, é sempre escura,
D#dim F#dim Em7
Pro que eu pergunto não há resposta,
A7 D
Mas de repente levei um susto:
Am7 D7 G7M
Olhei pra dentro da minha alma
A7 D D7 G7M A7 D
E a lua cheia iluminava.
       
         
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VAMPIRO MORDIDO.       CD1
         
As portas do castelo estavam abertas,
Um morcego voava pelos campos do céu.
Cantava um rock norte-americano
Num cavalo castanho, era estranho, era estranho.
Entrei naquela porta entreaberta,
Depois de tanto tempo no interior das cavernas. 
Subi a escadaria aveludada
E os ponteiros marcavam meia-noite assombrada.
Ouvia uma música sombria
E cada vez mais sentia uma dor na barriga.
O quarto da donzela é um descalabro,
Tem uma cama redonda  e um retrato de Stalin.
E quando ela me viu soltou um grito
Mas que só foi ouvido pelo ouvido dos bichos.
Depois cravou seus dois longos caninos
no meu pescoço magrinho, eu sou um vampiro mordido. 
Entrei pela floresta americana
Me escondi entre os cachos de amarelas bananas.
E quando é lua cheia e noite fria
Eu derramo uma lágrima esquisita, esquisita.
       
         
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PEDIGREE.       CD1
         
Pobre de mim que não tenho pedigree,
Vivo esperando uma luz, um blues, um sim.
Se não me vem não tem de quê,
Arrumo um jeito pra esquecer
E canto assim.
Num outro dia eu caí, me espatifei,
Levei um tombo e rachei meu pincenê.
Eu vi estrelas e foi bom:
Nasceu a dor e o céu luziu.
Cantei assim. Num outro dia vi o diabo atrás de mim.
Um par de córneos e uma capa carmesim.
Como é bonito ser assim.
Beijei o diabo e disse assim,
Eu disse assim.
Depois por fim, numa nuvem cor de anis,
Anjo divino enterrou a espada em mim.
E no entanto agradeci
Pela beleza que há em ti,
Que há em ti. Pra terminar, resolvi chegar ao fim,
Arsênico e HIV pra mim.
Confesso não me arrependi,
O abismo é bom, vamos cair,
Vamos cair.
       
         
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CARNE HUMANA.       CD1
         
Tem gente que come office-boy,
Gente que come carne de boi,
Gente que come e acha bom
Urubu, ratos de porão.
Gente que come os restos no chão,
Come os olhos, come com a mão,
Nosso destino é mesmo comer,
Comer é bom, comer faz crescer.

Come banana, come feijão,
Come poesia – dá congestão,
Gente quem come filé mignom,
Mas o que eu gosto, eu gosto é de comer.
Carne humana, iô iô iô
Carne humana,  iô iô iô
       
         
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