"SKYLAB"

Moto-serra
Urubu
Matador de Passarinho
Matadouro de Almas
Derrame
No cemitério
Funérea
Naquela noite
Vampiro Mordido
Pedigree
Carne Humana

CD2
 
 
MOTO-SERRA.  
CIFRAS
  CD 2
         

D A/C# Bm7
Tinha 25 anos de amores e sonhos,
Bm/A G7M A7 D B7 A/C# B/D#
Você era pra mim o meu drops de anis, alecrim,
Em Em/Eb
Era meu rabo de saia,
Em/D
minha doce amada, linda, linda,
Em/C# A7/4 A7 D A7 G/B A/C#
era tudo que eu queria, Rosa e jasmim.
D A/C#
Mas o tempo foi passando,
Bm7
o tempo é louco, o tempo é todo tempo,
Bm/A G7M F#m7(b5) B7 A/C# B/D#
o tempo come o tempo, chegamos ao fim.
Em Em/Eb
Te vi nos braços de um outro,
Em/D Em/C#
revirei na cama, passei a noite em claro,
A7/4 A7 D D7
mas no fim das contas, eu descobri:
G A Bm7
Moto-serra, moto-serra,
G A
Era a peça que faltava
D D7
no meu quarto de dormir,
G A Bm7
Moto-serra, moto-serra,
G A7
Hoje entendo porque tu olhavas
D A7 G/B A/C#
tanto pro jardim.
D A/C#
Fui serrando os seus pezinhos
Bm7 Bm/A
que eram para mim a coisa mais bonita
G7M A7 D B7 A/C# B/D#
que eu nunca esqueci, prossegui.
Em Em/Eb Em/D
Serrei suas duas mãos que eram diamantes
Em/C#
E quando rezavam
A7/4 A7 D A7 G/B A/C#
pareciam conchas de marfim.
D A/C#
Serrei suas duas pernas,
Bm7
os seus dois bracinhos,
Bm/A G7M F#m7(b5) B7 A/C# B/D#
Você ficou sendo a Vênus de Millus do meu jardim.
Em Em/Eb.
Te serrei por dentro e fora,
Em/D
te serrei no meio,
Em/C# A7/4 A7
Restou um toquinho que eu serrei também,
D D7
Serrei feliz.
G A Bm7
Moto-serra, moto-serra,
G A
Os pedaços manchados de sangue
D D7
plantei no jardim,
G A Bm7
Moto-serra, moto-serra,
G A7
Germinaram daqueles pedaços
D
rosas e jasmins.

       
         
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URUBU.   CIFRAS   CD 2
         
C A7 Dm
Urubu, meu companheiro,
G7 C G/B
Te achei numa charneca
Am Am/G D/F#
Com as asas machucadas, te levei pra minha casa.
G7 C G7
Te guardei numa gaiola
C A7/C# Dm
Para enfeitar a sala,
G7 C G/B
Sobre ti a noite é negra, urubu, canta pra gente.

Am Am/G Dm/F
Não inveje os outros cantos,
E7 Am G7
Outras plumas e outras cores,
C/ D/F# / G / F / C G/B / Am / Am/G / D/F# / G / F / C
Que  de todos és o primeiro,
C A7 Dm
Urubu tu és tão negro.
G7 C G/B
Se não há quem te escute,
Am Am/G D/F#
Eu te escuto e te traduzo,
G7 C G7
O teu canto  tem mais vida,
C A7/C# Dm
Urubu, canta um pouquinho.

G7 C G/B
Se eu te dou banana e alpiste,
Am Am/G D/F#
tu vomitas, endoidece,
G7 C G7
mas se for carne estragada,
C A7/C# Dm
Bate as asas e agradece.
G7 C G/B
Quem diz que urubu não canta,
Am Am/G Dm/F
Quem faz pouco do que eu digo,
E7 Am G7
para quem não crê em nada,
C/ D/F# / G / F / C G/B / Am / Am/G / D/F# / G / F / C
urubu, mais um pouquinho.

C A7 Dm
Eu vou te deixar agora,
G7 C G/B
Com meu coração partido,
Am Am/G D/F#
Voa pelo mundo à fora,
G7 C G7
Cumpra teu honroso ofício.
C A7/C# Dm
Acharás pelo caminho
G7 C G/B
Bois, cachorros, criancinhas,
Am Am/G Dm/F
O sertão é aqui, agora,
E7 Am G7
Urubu, mais um pouquinho.
C/ D/F# / G / F / C G/B / Am / Am/G / D/F# / G / F / C
 

   
         
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MATADOR DE PASSARINHO.    CIFRAS   CD2
         
B C#m C#m/B F#7 /A#
Aqui tem João-de-Barro, pintassilgo, pinta-roxo,
F#7 B/D# G#7
Pica-pau e colibri.
C#m
Aqui tem canário belga, araponga, açum-preto,
F#7 F#7/E B G#7
Curió e bem-te-vi.
C#m
Aqui tem tanta andorinha, cambaxirra, quero-quero,
C#m/B F#7/A#
Rouxinol e juriti ...
F#7 B
Que servem de tiro ao alvo
G#7 C#m
‘para espantar o tédio
F#7
e o vazio do existir.
B
Pá, pá, pá ...

E F#7
Matador de passarinho,
G#m
Matador de passarinho,
E F#7
Matador de passarinho,
B
Matador de passarinho ...

C#m
Tico-tico quando voas,
C#m/B F#7/A# F#7 B/D# G#7
Tico-tico tu pareces um teco-teco no ar.
C#m
Tico-tico quando cantas
F#7
Me lembro da minha infância,
F#7/E B
Feriado em Paquetá.
C#m
Tico-tico tão arisco, tico-tico tu beliscas
C#m/B F#7/A# F#7 B
Uns grãozinhos de fubá.
C#m
Tico-tico me perdoa mas me vem um vontade,
F#7
Não posso me segurar.
B
Pá, pá, pá

E F#7
Matador de passarinho,
G#m
Matador de passarinho,
E F#7
Matador de passarinho,
B
Matador de passarinho ...

C#m
Beija-flor de flor em flor
C#m/B F#7/A#
Beija-flor tu és o rei
F#7 B/D# G#7
Beija-flor te quero bem
C#m
Beija-flor se tu soubesse
F#7
Beija-flor ah! Se eu pudesse
F#7/E B G#7
Beijaria a flor também
C#m
Beija-flor tu vais levando
C#m/B F#7/A#
Numa nuvem cor de rosa
F#7 B G#7
Grãos de pólen para quem
C#m
Beija-flor tu és tão lindo
F#7
Mas chegou a tua hora
B
Não beijarás mais ninguém

E F#7
Matador de passarinho,
G#m
Matador de passarinho,
E F#7
Matador de passarinho,
B
Matador de passarinho ...

 

 

   
         
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MATADOURO.       CD2
         
Quanta saudade dos antigos matadouros,
Da vaca prenha abatida sem perdão,
Dos bezerrinhos que gritavam em agonia,
Do sangue quente espalhado pelo chão.

Quanta saudade das mosquinhas varejeiras,
Dos velhos tempos de mulheres e homens sãos,
Dos viadinhos pendurados no curtume,
Do jeito simples de viver uma paixão.

Vem cá, meu bem.
Me dê a mão, vamos sair pra ver o sol.
Aí então, vou te mostrar o amor pungente
Dos animais.
Ah! Ah! Ah!

Quanta saudade dos antigos açougueiros,
Da alegria em cortar, esquartejar,
Da carne seca pelo sol do meio-dia,
Desse sertão que até parece ser tantã.

Quanta saudade do vermelho mais vermelho,
Do cheiro podre de carniça pelo ar,
Do vento forte que abre todas as porteiras,
Da estrebaria, do chiqueiro, dos currais.
Vem cá, meu bem.
Me dê a mão, vamos sair pra ver o sol.
Aí então, vou te mostra o amor pungente
Dos animais.
Ah! Ah! Ah!
       
         
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DERRAME.       CD2
         
A boca era para a direita,
O nariz era para a esquerda,
Um olho era para cima,
Já o outro olho era para baixo,
O que ele teve?
Ele teve derrame,
Ele teve derrame.
Não falava direito,
Nem parecia um ser humano,
Dizem que é de outro planeta,
Mas para mim não passa de um homem idôneo
Apenas teve derrame
Ele teve derrame.
Tinha 50 anos
Mas quem o visse diria bem menos,
Corria toda semana
Em plena praia de Copacabana,
E no entanto
Ele teve derrame,
Ele teve derrame.
Tinha muitos amigos,
Levava até a fama de Dom Juan,
Mas hoje vive esquecido,
Puxa da perna
E não tem um benefício,
Que coisa horrível!
Ele teve derrame,
Ele teve derrame ...
       
         
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NO CEMITÉRIO.       CD2
         
Encontrei meu grande amor,
No cemitério.
Te ergui da sepultura,
Eu beijei teu corpo no
Cemitério.
Enquanto que tu vivias,
Não olhavas para mim,
Desprezado e sem amor
passei noites, passei dias
sem carinho a procurar
um consolo pra essa dor.
Mas esse dia então chegou
No cemitério,
Ficas mais bonita assim
Sem brilhante e sem calor
No cemitério.
Me lembro daqueles dias,
tu gostavas de pisar
esse pobre coração.
O meu amor então crescia,
Era um câncer invisível,
Sem poder lhe dar vazão.
E esse dia então chegou
No cemitério,
E era tanta alegria,
Morcegos são passarinhos,
No cemitério,
No cemitério,
No cemitério.
       
         
        Voltar.
         
FUNÉREA.       CD2
         
Minha casa é um cemitério,
O meu pai um morto-vivo,
Minha mãe é uma caveira,
Minha avó
É uma bruxa.
Meu avô é um feiticeiro,
Meu irmão o coisa-feia,
Todo dia eu penso nela,
Ela se chama Funérea.

No Natal meu pai me deu
Um casal de ratazana,
Deu também uma lacraia
Que até hoje me acompanha.
Nenhum desses se compara
Com o meu amor eterno,
Todo dia eu penso nela,
Ela se chama Funérea
Funérea, Funérea...
Funérea, Funérea...
Eu converso com as aranhas
Que passeiam pelo teto,
Os morcegos que revoam, voam ...
É assim o pensamento
De quem ama para sempre,
Todo dia  eu penso nela,
Ela se chama Funérea.
Funérea, Funérea...
Funérea, Funérea
É assim o pensamento
De quem ama para sempre,
Todo dia eu penso nela,
Ela se chama Funérea.
       
         
        Voltar.
         
NAQUELA NOITE.  
CIFRAS
  CD2
         
D Em7
Naquela noite cheia d´estrelas,
A7 D
Ela passava cheia de graça,
B7 Em7
A segurei pelos cabelos
A7 D
E enfiei uma porrada.
D7 G7M
Ela gemia, ela chorava
A7 D D7 G7M A7 D
E a lua cheia iluminava.

D Em7
Depois peguei um caco de vidro
A7 D
E enterrei no seu umbigo.
D6/F# Fdim Em7
Ela urrava, ela gemia,
A7 D
Um passarinho batia as asas,
D7 G7M
Um violino tocava a valsa,
A7 D D7 G7M A7 D
E a lua cheia iluminava.

D Em7
Com alicate eu retorcia
A7 D
Os seus mamilos tão delicados.
D#dim Em7
Ela pedia pra que eu parasse
A7 D
E eu sentia uma estranha calma.
D7 G7M
Os vaga-lumes contracenavam
A7 D D7 G7M A7 D
E a lua cheia iluminava.

D Em7
E fui puxando fio por fio
A7 D
Dos seus cabelos castanhos-claros,
B7(b9) Em7
Em cada fia que eu arrancava
A7/4 A7 D
Era uma lágrima, era outra lágrima,
D7 G7M
Os arvoredos com cor de prata,
A7 D D7 G7M A7 D
A lua cheia iluminava.

D Em7
E com a perícia de um obstetra,
A7 D
Em meio a um bosque cheio de flores,
D6/F# Fdim Em7
Eu extirpei de dentro dela
A7 D
Um bicho horrível chamado Homem,
D7 G7M
Os passarinhos em revoada,
A7 D D7 G7M A7 D
A lua cheia iluminava.

D Em7
A minha vida é essa estória,
A7 D
Por mais que` eu pinte, é sempre escura,
D#dim F#dim Em7
Pro que eu pergunto não há resposta,
A7 D
Mas de repente levei um susto:
Am7 D7 G7M
Olhei pra dentro da minha alma
A7 D D7 G7M A7 D
E a lua cheia iluminava.
       
         
        Voltar.
         
VAMPIRO MORDIDO.       CD2
         
As portas do castelo estavam abertas,
Um morcego voava pelos campos do céu.
Cantava um rock norte-americano
Num cavalo castanho, era estranho, era estranho.

Entrei naquela porta entreaberta,
Depois de tanto tempo no interior das cavernas. 

Subi a escadaria aveludada
E os ponteiros marcavam meia-noite assombrada.
Ouvia uma música sombria
E cada vez mais sentia uma dor na barriga.

O quarto da donzela é um descalabro,
Tem uma cama redonda  e um retrato de Stalin.

E quando ela me viu soltou um grito
Mas que só foi ouvido pelo ouvido dos bichos.

Depois cravou seus dois longos caninos
no meu pescoço magrinho, eu sou um vampiro mordido. 

Entrei pela floresta americana
Me escondi entre os cachos de amarelas bananas.

E quando é lua cheia e noite fria
Eu derramo uma lágrima esquisita, esquisita.
       
         
        Voltar.
         
PEDIGREE.       CD2
         
Pobre de mim que não tenho pedigree,
Vivo esperando uma luz, um blues, um sim.
Se não me vem não tem de quê,
Arrumo um jeito pra esquecer
E canto assim.
Num outro dia eu caí, me espatifei,
Levei um tombo e rachei meu pincenê.
Eu vi estrelas e foi bom:
Nasceu a dor e o céu luziu.
Cantei assim.
Num outro dia vi o diabo atrás de mim.
Um par de córneos e uma capa carmesim.
Como é bonito ser assim.
Beijei o diabo e disse assim,
Eu disse assim.

Depois por fim, numa nuvem cor de anis,
Anjo divino enterrou a espada em mim.
E no entanto agradeci
Pela beleza que há em ti,
Que há em ti.
Pra terminar, resolvi chegar ao fim,
Arsênico e HIV pra mim.
Confesso não me arrependi,
O abismo é bom, vamos cair,
Vamos cair.
       
         
        Voltar.
         
CARNE HUMANA.      

CD2

         
Tem gente que come office-boy,
Gente que come carne de boi,
Gente que come e acha bom
Urubu, ratos de porão.

Gente que come os restos no chão,
Come os olhos, come com a mão,
Nosso destino é mesmo comer,
Comer é bom, comer faz crescer.

Come banana, come feijão,
Come poesia – dá congestão,
Gente quem come filé mignom,
Mas o que eu gosto, eu gosto é de comer.

Carne humana, iô iô iô

Carne humana,  iô iô iô
       
         
        Voltar.
         
METRÔ.       CD 3
         

ESTAÇÃO CINELÃNDIA.

Eu tinha ido a cidade,
Eu vinha vindo tão bem,
Não tinha crise de asmas,
Os meus negócios iam bem,
Mas de repente, um minuto,
Tudo mudou só eu sei,
Aquela voz sussurrando,
Aquela voz a dizer:

ESTAÇÃO GLÓRIA.

Que voz, que coisa esquisita,
Eu nunca vi coisa igual,
Era uma voz de fantasma,
A voz de um morto no trem,
Eu tinha ido ao trabalho,
Eu vinha vindo tão bem,
E aquela voz sussurrando,
Aquela voz a dizer:

ESTAÇÃO CATETE.

Eu fui perdendo o controle,
Eu tava dentro do trem,
Na minha frente um babaca,
Tu tá me olhando por que ?
Eu vivo sempre sozinho,
Eu vinha vindo tão bem,
E aquela voz sussurrando,
Aquela voz a dizer:

ESTAÇÃO LARGO DO MACHADO.

Tô indo não sei pra onde,
Se eu vim não sei de onde foi,
Eu tô por cima dos trilhos,
Eu nunca sei quem eu sou,
A voz me dá calafrios,
A voz me enche de horror,
E lá vem ela subindo,
Aquela voz, não, não...

ESTAÇÃO FLAMENGO.

Eu olho pela janela,
Eu vejo só escuridão,
Eu tô debaixo da terra,
Será que tudo é ilusão?
Aqui parece o Infermo,
Eu não consigo entender,
Aquela voz sussurrando,
Aquela voz a dizer:

ESTAÇÃO BOTAFOGO.

Os nervos à flor da pele,
Os olhos em combustão,
Os dedos todos tremendo,
O meu coração na mão.
Eu tô chegando no ponto,
O que será que eu vou ver?
E aquela voz sussurrando,
Aquela voz a dizer:

ESTAÇÃO CARDEAL ARCO-VERDE, ESTAÇÃO TERMINAL.

       
         
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JESUS!!!       CD 3
         
Jesus! Eu chupava sua boceta,
Quando vi um ponto branco em sua bunda,
E como vocês sabem, eu sou dermatologista,
O ponto branco se chama vitiligo.

Jesus! Sua pele de ouro marrom,
Vai ficar dentro em breve toda branca.
E como é pobre, não tem dinheiro
Pra pagar o tratamento.

Jesus! Me deixe aproveitar,
Sua pele tem a textura da tigreza,
Mas o ponto branco, sinistro e traiçoeiro,
Vai estendendo sua teia.

Jesus! Eu não posso acreditar,
Sua cara vai ficar branca e preta,
Se hoje sinto gosto, amanhã será nojo,
Me deixe te beijar enquanto é tempo.

       
         
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NO CONVENTO DAS CARMELITAS.       CD 3
         
No Convento das Carmelitas eu entrei.
Esperei uma freira passar, esperei, esperei.
A primeira freira que passou, estrangulei.
Eu não gosto de freira, eu não gosto de frei.

No Convento das Carmelitas eu entrei.
Esperei outra freira passar, esperei, esperei.
A segunda freira que passou, estrangulei.
Eu não gosto de freira, eu não gosto de frei.

No Convento das Carmelitas eu entrei.
Esperei outra freira passar, esperei, esperei.
A terceira freira que passou, estrangulei.
Eu não gosto de freira, eu não gosto de frei.

No Convento das Carmelitas eu entrei.
Esperei outra freira passar, esperei, esperei.
A quarta freira que passou, estrangulei.
Eu não gosto de freira, eu não gosto de frei.

No Convento das Carmelitas eu entrei.
Esperei outra freira passar, esperei, esperei.
A quinta freira que passou, estrangulei.
Eu não gosto de freira, eu não gosto de frei.

No Convento das Carmelitas eu entrei.
Esperei outra freira passar, esperei, esperei.
A sexta freira que passou, estrangulei.
Os dias e as mortes em série me fazem tão bem.

       
         
        Voltar.
         
SENSAÇÕES.       CD 3
         

Sensações, Sensações...

Como vai tudo bem?
Eu vou bem, muito bem.
Pára um pouco de ler,
Olha o que você fez.

Tenho um rombo no
Dentro do coração.
Perambulo sem fim
E quase que eu sou ninguém.
Mas agora eu voltei,
Abre os olhos, meu bem.
Vivo fora da grei,
Eu vivo fora da grei.

       
         
        Voltar.
         
ATO FALHO.       CD 3
         
Todo ato falho é o acaso.
Todo ato falho é o acaso.
A verdade é o fundo da bobagem.
Pra acertar no alvo quanto disparate

Esse é o sorriso do gato de Alice.
E essa é a peruca pop de Andy Warrol.
Quando tu mirastes eu me ria.
Quando tu pensavas eu dizia:

Todo ato falho é o acaso.
Todo ato falho é o acaso.

       
         
        Voltar.
         
MÚSICA SUAVE.       CD 3
         

Música suave, música tranqüila,
Uma flauta doce, no céu um arco-íris.
De manhã cedinho, ele foi achado
Cheio de formiga e carbonizado.

Música suave, música tranqüila,
Uma flauta doce, no céu um arco íris.
Ela foi currada, enterrada viva,
Da terra brotavam os seus dez dedinhos.

Essa foi viúva, teve hemorragia,
Enterrou o gargalo, ele não saía.
Aquele foi morto sobre um pau-de-arara,
Minha mãe com câncer, o meu pai com Aids.

Música suave, música tranqüila,
Uma flauta doce, no céu um arco-íris.
Ele foi traído quando não esperava,
A mulher com os dentes lhe arrancou os bagos.

Filha da puta, filha da puta.

Música suave, música tranqüila,
uma flauta doce, no céu um arco-íris.

       
         
        Voltar.
         
PRIVADA ENTUPIDA.       CD 3
         
Quando você fica apertado
E a privada está toda imunda,
O cocô bate na água
E a água bate na bunda.

Então fico todo injuriado
E escrevo com sangue essas palavras:

PARAÍBA, RETARDADO, Ô VIADO, PUXA A DESCARGA.

Então me levanto aliviado,
sou uma pluma pairando no espaço,
sem memória, sem passado,
sem história, sem saudade.

       
         
        Voltar.
         
CARROCINHA DE CACHORRO QUENTE.       CD 3
         

Uma carrocinha de cachorro-quente.
Espia só o vendedor: olha prum lado,
olha pro outro, disfarça, não vem ninguém.
Ah lá, ele tá enfiando a mão dentro da calça,
aquela mão que segura o cachorro-quente.
Ah lá, ele tá coçando o cu com a mão.
Moça, ô moça, não compra cachorro-quente não.

Nome: Clarisse
Altura: 1,80m
Esguia, magérrima, olhos de esfinge,
pés pequenininhos,
mas tem uma trolha!!!

O elefante pergunta pra vaquinha:
tomô, no cu?
A colombina pergunta pro pierrôt:
tomô, no cu?
A enfermeira pergunta pro defunto:
tomô, no cu?
E todo mundo começa a perguntar:
tomô, no cu?

Calma, você deve ter tomado alguma coisa.
Relaxa, respira fundo. Isso, agora me fala:
qual o seu nome?
Boceta.
de onde você vem?
Boceta.
o nome da tua mãe?
Boceta.
o quê que você quer?
Boceta.

Desculpa
esse meu jeito
meio desesperado
de dizer as coisas,
mas o problema
é que nesse momento,
nesse exato momento,
um marimbondo
tá dentro da minha calça
e tá picando
a minha bunda !!!

Eu bem que fiz tudo
pra ser o que mamãe queria,
mas o tempo foi passando,
o tempo foi passando,
e tudo foi ficando
meio escalafobético.
Ele era tão quietinho,
um idiota comentou,
e tudo seria patético
se não fosse
PATETA!!!

       
         
        Voltar.
         
SAMBA.       CD 3
         
Vivo em papos de aranha,
Tô aqui a ver navios,
Leio sempre o Catatau,
Acabou o século XX.
Eu pareço com Ulisses,
Atravesso a Rio Branco,
Lá na frente tem uma blitz,
Eles tão me rebocando.
Entro na Leonardo da Vinci,
A gringa não percebe nada,
Eu estou desempregado
E quero mais ficar assim.
Eu não tenho nada a ver
Com a linha evolutiva,
Gosto é de ficar deitado
Com o meu pirú na mão.
Vou comprar uma mutuca
Lá no quinto dos infernos,
Eu não sou nenhum mané,
Rio de Janeiro,
Sou um garoto seqüelado,
Quero ouvir Zumbi do Mato,
Hanny baby é o caralho,
O meu samba é assim.

       
         
        Voltar.
         
CU E BOCA.       CD 3
         

Linda, os cabelos cacheados,
Os seus olhos esmeraldas
E a pele de cetim.
Mas se a beijava,
Vinha um cheiro de esgoto
Que saía do seu estômago
E entrava em meu nariz.

Um dia desses, eu beijava o seu pingelo
Quando assim bem de repente,
Ela peidou.
Daí então, eu pude constatar
Que o cheiro da sua boca
Era igual, era igual.
Depois disso eu concluí,
Depois disso eu concluí,
Depois disso eu concluí,
cu e boca é tudo a mesma coisa.
Linda.

       
         
        Voltar.
       
SEGUNDA-FEIRA.       CD 4
         

Segunda-feira, o sol brilhava,
As crianças na praça,
Mamães, mamãe,
Eu estava no ônibus, 433, 433, 433

Segunda-feira, eu estava cansado,
Não suporto trabalho,
Que fazer? Que fazer?
Sou de pouca conversa,
O meu negócio é foder,
O meu negócio é foder,
O meu negócio é foder.

Segunda-feira, hoje tem sacanagem,
Rock and roll e porrada,
Meu amor, meu amor,
Nunca tenho dinheiro,
Eu tô sentindo um fedor,
Eu tô sentindo um fedor,
Eu tô sentindo um fedor.

Segunda-feira, é uma noite de estrelas,
O pai-de-santo interveio:
Engano seu, engano seu,
É a cabeça dos presos
E eu me esporro de medo,
E eu me esporro de medo,
E eu me esporro de medo.

Segunda-feira, encontrei uma caveira,
Faz um mês que eu não durmo,
Que horror, que horror,
Acendi uma vela
E escarrei nos meus versos,
E escarrei nos meus versos,
E escarrei nos meus versos.

Segunda-feira, somos filhos da merda,
Qualquer dia eu me estrepo,
Tu vai ver, tu vai ver,
Essa noite não escapa,
Vou aparecer na TV,
Vou aparecer na TV,
Vou aparecer na TV.

Segunda-feira, formicida com gelo,
Dei um tiro no espelho,
Meu amor, meu amor,
Que saudade que eu tenho,
Stockhausen e Artaud.
Stockhausen e Artaud,
Stockhausen e Artaud.

Segunda-feira, Sputinik no peito,
Sou maluco e new-wave,
Flutuar, flutuar,
Rimo tédio com Teknus,
Vontade de cagar,
Vontade de cagar,
Vontade de cagar.

       
         
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ACORDA SIVA MARIA.       CD 4
         

Acorda Siva Maria,
Ô Siva Maria,
Acorda Siva Maria,
Ô  Siva Maria,
São 7 horas Siva Maria

MENTIRA!!!!!!!

       
         
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INFERNO.       CD 4
         

Há 10 anos atrás, eu fui a um jogo de futebol no Maracanã.
Saindo do estádio, havia uma briga entre torcedores.
Um sujeito puxou uma arma e deu dois tiros.
Uma das balas veio atingir em cheio minha cabeça.
Fui levado às pressas para o Hospital,
Mas já cheguei sem vida.

Voltei!!! Voltei!!!
Não como Hamlet, clamando por justiça.
Não como campanha publicitária.
Voltei com imagem, simulacro.
Não tenho sangue, nem osso.
Disfarço no meio tanta gente.
Falsifiquei a identidade.
Entrei num banco.
Virei cantor.
Me chamo ROGERIO SKYLAB.
É tudo falso, é tudo falso.
Vocês nem desconfiam:
EU SOU UM CADÁVER
EU SOU UM CADÁVER
EU SOU UM CADÁVER

Não tem dia, não tem sol,
Não tem noite, não tem som,
Não tem sorte, não tem lei,
Não tem nada, não tem ninguém.

Não tem guerra, não tem paz,
Não tem norte, não tem sul,
Não tem sombra, não tem luz,
Não tem Buda, não tem Exu.

é o inferno, é o inferno, é o inferno, é o inferno

Não tem fezes, não tem flor,
Não tem negro, não tem blues,
Não tem carro, não tem metrô,
Não tem gosto, não tem fedor.

Não tem tripa, não tem pus,
Não tem câncer, não tem dor,
Não tem english, não tem tupi,
Não tem sangue, MTV.

é o inferno, é o inferno, é o inferno, é o inferno

 

       
         
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LÁGRIMAS DE SANGUE       CD 4
         

Irremediavelmente, fora do Mercado,
Não vamos tocamos em rádio, no cinema ou na TV.
Ficaremos lado a lado, somos duas gêmeas almas,
Sem futuro e sem passado,
meu amor, meu bem querer.

O sol da melancolia
Vai nos iluminar.
Teus olhos são duas hemorróidas
A escorrer, a escorrer...

Irremediavelmente, dentro da cidade,
Somos nerds, somos hackers,
Somos um bando de Ets.
Viraremos internautas, outros mundos, outros mares,
Eu te conheci num chat,
Meu amor, meu bem querer.

O sol da melancolia
Vai nos iluminar,
Teu olhos são duas hemorróidas
A escorrer, a escorrer

Lágrimas de sangue, lágrimas de sangue...

       
         
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BLUES DO PÀRA-CHOQUE       CD 4
         

Entrei num pára-choque
E fui pro beleléu.
Te vi num plenilúnio
No morro do Boréu.
Eu não sei o quê que eu tenho,
Eu perdi a mediatriz,
Têm vezes que estou triste,
Outras vezes tão feliz.

Te vi num astrolábio
Seu brilho de ouropel.
Eu sou o seu bodog,
Lambi até seus pés.
Eu te fiz o impossível,
Eu te li o Shakespeare.
Nem assim você me quis,
Nem assim você me quis.

Tomei uma overdose,
Eu vou até o fim.
Te dei um gramophone,
Escuta os meus ardis.
Eu fiz halterofilismo,
Karatê com Bruce Lee,
Mas você nem tava aí,
Mas você nem tava aí.

Eu tento e não consigo,
Não sei o que há em mim,
Sou feio mas nem tanto,
Meu gosto é seduzir.
Eu te dei até loguinho
Dentro do meu Zepelim,
Nem assim você me viu,
Nem assim você me viu.

       
         
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DOLAR       CD 4
         

Você que me ama,
Te peço, me conta,
Qual a palavra que mais te arrepia?
Ela me fala
Baixinho no ouvido
Com a volúpia de gata no cio:

Dólar, dólar...

Tu és o maior
De todos os deuses,
Tudo que move
E tudo que é.
Doce bandeira
No firmamento,
Meu pouso,
Meu norte,
Meu primeiro rap.

Dólar, dólar...

As águas do rio
Murmuram seu nome,
Estrelas no céu:
Outdor insano.
Até o bem-te-vi
Tem outro idioma.
É a natureza
Verdinha que canta.

Dólar, dólar...

Por trás da menina
Que vem e que passa
Num doce balanço
A caminho do mar.
Por trás do artista,
De toda poesia,
Existe um valor
Que é preciso afirmar:

Dólar, dólar...

Você que me olha
Meio enviesado,
Não se avexe
Nesse momento.
Todas as notas
Que eu tiro agora
Vem lá do fundo
Do seu pensamento.

Dólar, dólar...

Você que me ama,
Te peço, me conta,
Qual a palavra
Que mais te arrepia?
Ela me fala baixinho nouvido
Com a volúpia da gata no cio:

Dólar, dólar...

       
         
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COCO.       CD 4
         

- Como foi que você pegou herpes?
-Ah! Foi com a minha primeira  namorada.
Não sei, eu beijava ela, sentia uma coisa esquisita na boca dela.
-Você fica com raiva por causa disso?
-Ah! a gente fica, né? De vez em quando nasce uma ferida horrível na boca da gente?
 -Quais são os seus planos para o futuro?
-Ah! do futuro só Deus sabe.
-Paga um boquete?
-Eu, hein? Quê isso!!
-Rapidinho.
- Não posso. Tenho que dormir, amanhã acordo cedo.
-Você trabalha aonde, porra!!!
-Sou produtor cultural.
-Produtor cultural? Não fode
-Mas aqui mesmo?
- Não fode.
- Só se for ali, atrás da igreja.
- Não fode.
- Bota fogo e depois foge, é?
-Não fode.
-Não fode é o caralho!!!!

Uá, Uá, Uá, Uá, Uá, Uá
Você me faz sorrir, me faz delirar
Uá...
Se eu pudesse, te daria o céu e o mar.
Com você, eu como até seu cocô.

 

       
         
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ESQUELETOS.       CD 4
         

Os esqueletos estão chegando, tudo osso...

Etiópia, Blangladesh,
Lá na Índia, no nordeste

Os esqueletos têm os olhos fundos,
Os esqueletos não têm sucesso,
Os esqueletos fazem plágio,
Os esqueletos não são modernos.
Os esqueletos continuam,
Os esqueletos são cabeludos,
Os esqueletos não têm bunda,
Os esqueletos, os esqueletos.

       
         
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CANTICO DOS CANTICOS.       CD 4
         

Sim, eu canto porque é noite,
E noite que não tem fim,
Escuta essa canção.

E ô, E ô,
O cântico dos cânticos,
E ô, E ô,
O cântico dos cânticos.

Sim, em Bagdá um cego,
Turbante na cabeça,
Me leu o alcorão.

E ô, E ô...

Sim, quando eu te conheci,
Senti que eu já te conhecia,
Estranha sensação.

E ô, E ô...

Sim, na hora que o sol nasce,
O tom vermelho ouro,
A terra em combustão.

E ô, E ô...

Sim, num mar azul turquesa,
Despontam icebergs,
Parecem assombração.

E ô, E ô...

Sim, o manto, que te cobre,
Tem dobras e mais dobras
Como um caramanchão.

E ô, E ô...

Sim, eu canto porque é noite
E noite que não tem fim,
Escuta essa canção.

E ô, E ô...

       
         
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TIGER.        
         
"Walking we go watch,
water is fire, fuck you.
Brother is dead, night.
Blues and white, tiger."
       
         
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É TUDO FALSO.       CD 4
         
(fragmentos das músicas anteriores)        
         
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IML.       CD 5
         
Abri a geladeira do IML.
Cadáver gelado, cadáver é assim.
De boca entreaberta, cadáver sem rim.
Cadáver com bala, com cheiro ruim.
Cadáver de fato, cadáver sem fim.

Abri a geladeira do IML.
Cadáver do morro, cadáver eu vi.
Cadáver sem terra, cadáver barão.
Cadáver polícia, cadáver ladrão.
Cadáver turista, cadáver sertão.

Abri a geladeira do IML.
Cadáver com bunda, com HIV.
Cadáver cantando, cadáver é assim.
Cadáver no sangue, cadáver feliz.
Cadáver que anda, que olha e que vê.
Cadáver agora, cadáver aqui.

       
         
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ARREBENTADOS .       CD 5
         
Eu urinei na tua boca,
Evacuei na tua cara,
Chicoteei a tua bunda,
Te algemei na minha cama.
Te chamei de filho-da-puta,
Você falou: muito obrigado.
Te encestei uma porrada
Que te deixou fora de esquadro.

Depois, eu te pedi a mesma coisa,
Você não se fez de rogado
E deu um chute no meu saco
Aí então caí, caí de quatro no meu quarto,
Fiquei no chão estatelado,
Nós somos dois arrebentados.

Sim, fomos pra rua de mãos dados,
Os transeuntes se chocavam,
O nosso amor é uma navalha.
Tem mais, não suportamos informática,
Nós tamos sempre na larica,
Nosso futuro ninguém sabe.

       
         
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O MEU PAU FICA DURO .       CD 5
         
Doutor, me explica: por que é que às vezes
Quando eu fico parado, sem fazer nada,
O meu pau fica duro?
Não é bexiga cheia,
Não é mulher pelada,
É assim de repente, o meu pau fica duro.

O meu pau fica duro, o meu pau fica duro...

Não deixa não, o samba morrer,
O samba chegou, o samba é você.
Não deixa não, o samba morrer,
O samba chegou, o samba é você.

O meu pau fica duro, o meu pau fica duro...

       
         
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PUTA.       CD 5
         
Você vai ao samba.
Uma cabrocha: só no sapatinho.
Gostosa!!!!!
No final das contas vocês vão pro Motel.
Transam a noite inteirinha.
Trinta dias depois, ela volta grávida
E quer ter o filho.
Conclusão: você pagar pensão pro resto da sua vida.
Ela te ama?
Não!!!!!
O quê que ela é então?
Puta, é puta!!!!!

Mas você insiste,
Não entrega os pontos
Vai ao Shopping, quer comprar uma calça Lee.
Uma vendedora vem ao seu encontro
E te trata pelo nome, como se vocês fossem íntimos.
Gostosa!!!!
E sensual, provocante...
Você não enxerga mais nada.
Compra calça, cueca, meia, sapato.
Conclusão: ela é uma vendedora?
Não!!!!!!
O quê que ela é então?
Puta, é puta!!!!!

Cidade do Rio de Janeiro,
Zona sul, garota de Ipanema.
Você quer morar lá.
Tem money? Não.
Então, não pode não.
Conclusão: essa cidade te ama?
Não!!!!!!
O quê que ela é então?
Puta, é puta!!!!!

“Calma, quê isso?
Você tá tão revoltado”, disse a psicanalista diante do meu delírio.
É que todas as coisas que eu via – criança, fábrica, escola... –
Todas elas pareciam putas.
Trinta minutos depois, eu paguei a consulta
E voltei sozinho pra casa.
Com aquela sensação:
Puta, é puta!!!!!!!!!

       
         
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MÚSICA PARA PARALÍTICO .       CD 5
         

Música para paralítico,
Música para paralítico.
Pra quem tomou um tombo, um tiro,
Porrada na cabeça.

Eu não quero flor, ô ô.
Eu não quero sol, ô ô.
Eu não quero ouvir, não quero falar,
Não quero entender, não quero explicar.
Eu não quero ver, ô ô
Eu não quero ver, ô ô
Cadeira de rodas rodando,
Cadeira de rodas rodando,
Cadeira de rodas rodando
Na boquinha da garrafa.

       
         
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CÃNCER NO CU.       CD 5
         
Qual a diferença entre eu, Ana Maria Braga e Mário Covas?
É que o Mario Covas já morreu,
Ana Maria Braga tá morrendo
E eu também um dia vou morrer.
De quê?????
Câncer no cu, câncer no cu..
Mário Covas: câncer no cu.
Ana Maria Braga: câncer no cu.
Rogério Skylab: câncer no cu, câncer no cu, câncer no cu.

Qual a semelhança entre eu, Ana Maria Braga e Mário Covas?
Perdemos a vontade de cagar, perdemos a vontade de cagar.
E aquela bolsinha de plástico.
Por quê????
Câncer no cu. Câncer no cu.
Mários Covas: câncer no cu.
Ana Maria Braga: câncer no cu.
Rogério Skylab: câncer no cu, câncer no cu, câncer no cu.

Qual a diferença entre eu, Ana Maria Braga e Mário Covas?
É que o Mário Covas já morreu.
Ana Maria Braga tá chorando.
E eu tô com vontade de cantar.
O quê?????
Câncer no cu, Câncer no cu.
Mário Covas: câncer no cu.
Ana Maria Braga: câncer no cu.
Rogério Skylab: câncer no cu, câncer no cu, câncer no cu.

       
         
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SAMBA (EU QUERO SABER QUEM MATOU).       CD 5
         
Eu quero saber quem matou Tom Zé,
Eu quero saber quem Walter Franco,
Eu quero saber quem matou Jorge Mautner,
Eu quero saber quem matou Jards Macalé,
Eu quero saber quem matou Arnaldo Antunes,
Eu quero saber quem matou Lobão,
Eu quero saber quem matou Itamar Assunção,
Eu quero saber quem matou Chacal,
Eu quero saber quem matou Fausto Fawcett,
Eu quero saber quem matou Arrigo Barnabé.
Eu quero saber quem matou,
Quem matou? quem matou? quem matou?
       
         
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PARAFUSO NA CABEÇA.       CD 5
         
Põe um aparelho no seu dente,
Coloca a argola na orelha,
Depois põe esse piercing na tua língua,
Injeta silicone no teu peito,
Faz uma porção de tatuagem,
Encosta na tua pele ferro quente,
Imprime no teu corpo uma palavra,
E põe um parafuso na cabeça.
Faz uma trepanação no cérebro,
Puxa, corta, rasga e aperta.
O teu sexo, o teu sexo.
Faz um pieling, põe um marca-passo,
Se mutila todo e fica vesgo,
Introduz um córneo na tua testa
E põe um parafuso na cabeça.

Põe um parafuso na cabeça, põe um parafuso na cabeça....

       
         
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BUNDA SUJA.       CD 5
         
Eu tava andando no meio da rua,
Quando comecei a sentir os efeitos gasosos
De uma empada estragada.
Saí em disparada pela rua
E entrei no primeiro botequim.
Mal tive tempo de arriar as calças
E descarreguei.
Depois fiquei olhando os desenhos na parede:
Um piru, uma bunda, uma porção de telefones
E descobri uma verdade simples, absoluta, inelutável:
NÃO TINHA PAPEL HIGIÊNICO.
Seu Joaquim!!!!! Papel higiênico!!!!!!
Seu Joaquim!!!!! Guardanapo!!!!!!
Então o jeito foi levantar as calças
E sair pela rua com aquela coisa pastosa por entre as pernas.
E deu até vontade de cantar, e deu até vontade de cantar, e deu até vontade de cantar:
Eu olho pro céu, eu olho pro sol,
Eu olho as estrelas, eu olho pra lua,
Olho o universo, a via láctea,
Eu olho pra mim no meio da rua:
Ô, ô, ô, BUNDA SUJA, BUNDA SUJA,
Ô, ô, ô, BUNDA SUJA, BUNDA SUJA.
       
         
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UM CARRO HERMETICAMENTE FECHADO.       CD 5
         
Um carro hermeticamente fechado.
De dentro, a gente não enxerga nada
Correndo, estamos de olhos vendados
Em grande velocidade.

É assim o meu baião
E não tem mais nada não.

       
         
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CHICO XAVIER E ROBERTO CARLOS.       CD 5
         
Chico Xavier é viado, Roberto Carlos tem perna-de-pau.
Chico Xavier é viado, Roberto Carlos tem perna-de-pau.

E apesar de tudo é tão comovente,
A verdade explode na cara da gente,
A verdade é crua, a verdade é nua,
A verdade torce e a verdade estupra.
A verdade é puta, a verdade é puta,
A verdade trai e nem se incomoda.
A verdade grita em poucas palavras,
A verdade arde, a verdade arde:

Chico Xavier é viado, Roberto Carlos tem perna-de-pau.
Chico Xavier é viado, Roberto Carlos tem perna-de-pau.

Então era isso o surpreendente,
Era tão óbvio, tão evidente.
Tava na cara, tava nos modos,
Tava na forma e era o bom senso.
Então era isso, eu ia pensando,
A mídia gritava: mentira, mentira.
Mas eu não ligava e prosseguia
Tranqüilo e fodido
Eu ia dizendo:

Chico Xavier é viado, Roberto Carlos tem perna-de-pau.
Chico Xavier é viado, Roberto Carlos tem perna-de-pau.

Decifra o enigma que eu te proponho,
O x do problema, a minha equação.
A linha de fuga, a minha miragem,
O meu oriente e o grandes sertões.
Decifre o enigma, ando sozinho,
Eu tô mais distante do que mil japões.
Alô MAL VAL
Eu continuo tanquilo e sereno seguindo a canção:

Chico Xavier é viado, Roberto Carlos tem perna-de-pau.
Chico Xavier é viado, Roberto Carlos tem perna-de-pau.

Então era essa a melodia
Que te pertuba os ouvidos moucos?
Último gesto, a saideira,
O canto-do-cisne, a minha canção.
Então era essa a melodia
Que te pertuba a noite de sono?
Meu semelhante, meu companheiro,
Meu cumpadi, meu irmão.

Chico Xavier é viado, Roberto Carlos tem perna-de-pau.
Chico Xavier é viado, Roberto Carlo tem perna-de-pau.

E apesar de tudo é tão comovente.
A verdade explode na cara da gente.

       
         
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NINGUÉM .       CD 5
         
Olhem
Olhem como
Olhem como se
Olhem como se eu
Olhem como se eu não
Olhem como se eu não fosse
Olhem como se eu não fosse ninguém
Olhem como se eu não fosse ninguém senão
Olhem como se eu não fosse ninguém senão um, apenas um

Ninguém, ninguém, ninguém...

       
         
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LAVA AS MÃOS .       CD 5
         

Primeiro questão: quando você mija,
Você lava as mãos
Antes ou depois?
Antes e depois?
Ou nem antes, nem depois?

E quando você evacua.
Você lava as mãos
Antes ou depois?
Antes e depois?
Ou nem antes, nem depois?

E quando você bate uma punheta.
Você lava as mãos
Antes ou depois?
Antes e depois?
Ou nem antes, nem depois?

E quando você introduz o dedo.
Você lava as mãos
Antes ou depois?
Antes e depois?
Ou nem antes, nem depois?

E quando você aperta o gatilho.
Você lava as mãos
Antes ou depois?
Antes e depois?
Ou nem antes, nem depois?

E quando você mata a sua mãe.
Você lava as mãos
Antes ou depois?
Antes e depois?
Ou nem antes, nem depois?

E quando você estupra sua filha.
Você lava as mãos
Antes ou depois?
Antes e depois?
Ou nem antes, nem depois?

       
         
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MICTÓRIO .       CD 5
         

Levei uma porrada no mictório,
caí em cima da merda, bebi uréia,
corri pro lavatório: não tinha água.
Olhei pelo espelho: que sacanagem!!!!

Saí pela avenida desatinado,
Chamaram até polícia, fui autoado,
Fui preso numa cela, de madrugada
Vieram dois crioulos e me curraram.

Mas na manhã seguinte,
Que maravilha!!!!
Me deram armistício,
Tive alforria,
Saí pela avenida desembestado,
Veio uma viatura e nova porrada.

Pus sangue pela boca, pelos ouvidos,
Caí em estado-de-coma, hemorragia,
E até os transeuntes que ali passavam,
Sentiam um arrepio e viravam a cara.

O sangue foi correndo pela cidade,
Desembocou na praça, encheu as casas,
Correu no meio fio, pela calçada
E desaguou no meio de um mar de náufragos.

O mundo estava em crise,
Como é que eu posso?!
Fizeram alquimia com a hemoglobina,
O monstro foi nascendo em laboratório
E de repente o sangue virou petróleo.
Primeiro foram os presos da Ilha Grande,
Depois os brasileiros de oitenta anos,
Chegou a vez dos índios, dos traficantes,
E por fim foram os mendigos e os delirantes.

Fizeram um monumento em minha homenagem,
Tirei fotografia, ganhei aplausos.
Falei com o presidente
Da rede Globo
E fui condecorado com o prêmio Nobel.

Levei uma porrada no mictório,
Caí em cima da merda, bebi uréia,
Corri pro lavatório: não tinha água.
Olhei pelo espelho: QUE SACANAGEM!!!!!!

       
         
        Voltar.
         
EU ESPORRO .       CD 5
         

Eu esporro, você cospe,
Eu esporro, você engole.

O que é meu, o que é seu,
Defecar, contrair.
Duvidar, refletir,
Mastigar, deglutir.

Eu esporro, você cospe,
Eu esporro, você engole.

Todo céu, todo mar,
As estrelas, o luar.
Respirar, insistir,
Copular, conseguir.

Eu esporro, você cospe,
Eu esporro, você engole.

Contorcer, urinar,
Derreter, transpirar.
Surpreender, delirar,
Exprimir, espirrar.

Eu esporro, você cospe,
Eu esporro, você engole.

Ingerir, injetar,
Escrever, latejar,
Imprimir, prescrutar,
Espremer, estuprar.

Eu esporro, você cospe,
Eu esporro, você engole...

       
         
        Voltar.
         
DESARMÔNICA .       CD 5
         

Vou pra rua distrair,
Quando chego lá em casa,
Vejo a minha mulher morta
Currada, currada.

Tô no século XXI,
Explodi minha cabeça
E hoje eu vivo só de restos
Do samba, do samba.

Atravesso a Mem de Sá,
Quando chega na Tijuca,
Volto para a Cinelândia,
Estácio, Catete.

Eu queria te dizer,
Quando chego no espelho,
Vejo apenas uma sombra
Estranha, estranha

Gosto muito de comprar,
Eu vou ao supermercado,
Tenho uma porção de tique
Nervoso, nervoso.

Vejo a lua sobre o céu,
Eu vou pisando destroços,
Tamos no terceiro mundo
Do samba, do samba.

Quero muito te dizer
Mas esqueço totalmente,
Ligo a tv e durmo
Capado, capado,

       
         
        Voltar.
         
POR DENTRO, POR FORA .       CD 5
         

Por dentro, por fora,
Por dentro, por fora,
Você não entende
Tô sempre por fora.
Pra eu estar por dentro,
Eu estou por fora,
Pra eu estar por dentro,
Eu estou por fora,
Você não entende essa minha lógica,
Eu estou por dentro
Porque estou por fora.

       
         
        Voltar.